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consertamos a logo marca: 5 anos de AC2B . Fundada com a presença do embaixador da ALEGRIA Cajazeirense, João de Manezim, em 21 de abril de 2010, quando Brasilia completava meio século - 50 anos. Em 2010 fizemos dois Encontros de Cajazeirenses, por isto, iremos viver o 6º Encontro neste dia 01 de maio 2015.

domingo, 26 de abril de 2015

população produtiva brasileira cairá a partir de 2023




Isabel Versiani/Gustavo Patu - Folha

Pelas projeções mais recentes e consensuais para o crescimento econômico brasileiro, o país deixará de aproveitar o melhor momento de uma vantagem demográfica única em sua história para acelerar o desenvolvimento.

Com perspectiva de recessão neste ano e recuperação modesta nos próximos, a economia ainda terá de enfrentar, a partir dos anos 2020, a reversão do processo de crescimento da parcela da população em idade produtiva.

Chegará ao fim o período, iniciado nos anos 1990, de queda da proporção de dependentes –crianças e idosos– na população, que cria maior folga potencial para a poupança e recursos para educação, saúde e infraestrutura.

Diversos países conseguiram aproveitar o chamado bônus demográfico para dar um salto de patamar. É o caso do Japão e de nações europeias, que alcançaram o status de economia desenvolvida a partir dessa janela.

LIMITES

O Brasil, apesar de avanços observados na redução da pobreza e na inclusão educacional nas últimas décadas, não sofreu uma transformação equivalente até o momento –e avanços adicionais serão limitados pelo fraco desempenho esperado da economia no momento demográfico mais favorável.

O FMI previu, neste mês, que o Brasil crescerá, até o fim desta década, apenas 1,8% ao ano, em média –a metade da década anterior. Economistas de mercado consultados pelo BC também preveem um crescimento médio nesse patamar até 2019.

Nesse cenário, o mercado de trabalho deve manter a marcha lenta, limitando na prática o aumento da parcela da população que sustentaria o crescimento.

"Se a economia não se recuperar, no restante da década o Brasil vai perder as últimas vantagens trazidas pela janela de oportunidade demográfica", diz o professor e especialista em estudos demográficos José Eustáquio Diniz Alves, da Escola Nacional de Ciências Estatísticas do IBGE.

ENVELHECIMENTO

A partir de 2023, a população produtiva deverá começar a cair no Brasil, refletindo o envelhecimento médio como resultado da maior longevidade.

Com isso, a contribuição da demografia para o crescimento passará a cair ano a ano, pressionando os gastos com saúde e aposentadorias.

"O país vai ter que rodar com custos maiores, sendo ainda um país de renda média", diz Jorge Arbache, professor de economia na Universidade de Brasília.

Ele vê como inevitáveis mudanças na Previdência e no SUS, além de um aumento da carga tributária.

Diante das restrições fiscais crescentes, a avaliação é que o país terá ainda mais dificuldade para superar o seu principal problema de competitividade: a baixa qualidade da educação.

O Brasil não conseguiu progredir de forma significativa nos rankings internacionais nas últimas décadas, mesmo com a redução relativa do número de alunos. E o número de jovens que não estudam nem trabalham continua expressivo –em 2013, havia 10 milhões de pessoas de 15 a 29 anos nessa situação, segundo dados do IBGE.

"Se foi assim no período de vacas gordas, dificilmente vai mudar no período de vacas magras", diz José Eustáquio.

muito bom.


quando morre um artista a natureza chora

Artista plástico Antonio Henrique Amaral morre em São Paulo aos 79 anos
Conhecido pela série 'Bananas', pintor sofria de câncer de pulmão

Camila Maia - O globo



RIO - O artista plástico Antonio Henrique Amaral, conhecido pelas pinturas que fez de bananas nos anos 1960 e 1970, morreu nesta sexta-feira, em São Paulo, aos 79 anos. O pintor e desenhista estava internado no Hospital Samaritano desde segunda-feira e tinha câncer de pulmão.


Nascido em 1935 na capital paulista, Henrique Amaral iniciou a trajetória artística com desenhos e gravuras, com influências surrealistas e inspirado em artistas como Roberto Matta e Joan Miró. Foi nos anos 1960 que, incorporando elementos da gravura popular e da cultura de massa, deu início à sua série mais conhecida, "Bananas", que de 1968 a 1975 retratou a imagem da fruta em diversas situações: isolada, em cachos, madura ou apodrecida.


Nas pinturas, a banana funcionava como uma metáfora para a ditadura militar e a posição do Brasil entre os países democráticos. Anos depois, Henrique Amaral passou a focar em outros objetos em seus trabalhos, como garfo e bambu, e em partes do corpo, como seios e torsos.

Para Marcus de Lontra Costa, crítico e curador de arte, o artista plástico foi responsável por um marco:

— O pop brasileiro surge nos anos 70, em plena ditadura. Então, diferente do pop americano, o brasileiro é muito politizado. E o Antonio Henrique representa muito bem essa vertente. É uma perda lamentável, mas felizmente as obras dele permanecem.

a musica em estado de graça



No show de António Zambujo, no Vivo Rio ontem, os 3 #orixás Chico Buarque, 
Milton "Bituca" Nascimento e Caetano Veloso 

"meu Deus, mas que cidade linda ! lugar melhor nesse país não há "


s/c


muito bom


ao nosso amigo Irlânio Cavalcante toda a nossa solidariedade. a superação virá com trabalho e dedicação.

Chego de São Paulo onde fui fazer compras e me deparo com essa cena.


 A Ivone Boutique era mais que uma segunda casa, era a casa dos sonhos, dos planos, dos projetos da família, local de receber e fazer amigos... era nossa referencia há 37 anos, local sagrado de trabalho. Peço a Deus mais que nunca, saúde, disposição e forças para superar e trabalhar como nunca para recomeçar do zero e com fé, voltar a fazer o que mais gosto. Agradeço em meu nome e em nome de minha família a solidariedade recebida.

Irlânio Cavalcante

o diabo do aedes é seletivo por natureza

Azar genético explica preferência do Aedes aegypti por algumas pessoas

Gabriel Alves - Folha

Gêmeas idênticas participam de experimento com mosquitos 
para ver quão atraente é o cheiro de cada

Enquanto alguns sofrem, outros escapam incólumes. É comum, em qualquer lugar com mosquitos, que algumas pessoas sejam alvos preferenciais das picadas.

Cientistas britânicos resolveram testar a hipótese de que esse fenômeno indesejável tem a ver com a combinação de genes que recebemos de nossos pais.

Já se sabia que o cheiro era o fator que promovia a atração dos mosquitos, mas não se esse odor favorável poderia ser explicado pelos genes que carregamos.



Se isso estivesse certo, gêmeas idênticas atrairiam mosquitos com maior "intensidade" do que gêmeas fraternas (não idênticas).

Para colocar a ideia à prova, cientistas pediram a cada par de irmãs que colocassem uma das mãos cada nas duas extremidades de um tubo em Y –chamado de olfatômetro.
Do outro lado, fêmeas do Aedes aegypti eram liberadas e a quantidade de mosquitos que escolhia cada pessoa pelo cheiro era contada.

O estudo, que foi publicado na revista científica "Plos One", encontrou uma concordância que varia entre 62% e 83%.

"Isso significa dizer que a herança genética pode ser responsável por até 83% da atração exercida por algumas pessoas aos mosquitos, um valor alto", explica a professora titular de genética da Universidade Federal de São Paulo Marilia Cardoso Smith.

"Ainda sobram até 38% de participação para outros fatores, como o alimentação e outras influências ambientais", diz Marilia.

Estudos com gêmeos univitelinos (idênticos) e bivitelinos (fraternos) são uma ferramenta importante para o estudo de fatores genéticos de características individuais e mesmo de doenças.

HIPÓTESES

Os cientistas não sabem explicar exatamente como os genes ajudam a atrair ou repelir mosquitos. Pode haver tanto genes que aumentam a atratividade para os insetos quanto genes responsáveis por repelentes gerados pelo próprio organismo.

Um dos candidatos é o MHC, uma região do genoma importante para a compatibilidade entre doador e receptor de órgãos e que sabidamente também influencia a atração sexual, também pela via olfativa.

Segundo Paulo Ribolla, professor do Instituto de Biociências de Botucatu, da Unesp, o estudo serve de marco para que se preste mais atenção aos fatores genéticos, que, assim como as bactérias e os fungos que as pessoas carregam, contribuem para decidir quem será ou não picado.

ela não consegue digerir


" Meu Deus, mas que cidade linda! "


s/c


a criatividade é a marca de uma internet livre. é pra levar na sacanagem.



"Risitas a la esquierda" narra como foram as manifestações de 15/03.Pra descontrair um pouco! :)Uma produção TV Tribuna Sobral.
Posted by Tribuna Sobral on Sexta, 27 de março de 2015

tempo, tempo, tempo, tempo...



Em seu sétimo aniversário, Serafina celebra junto com sete mulheres que não brigam com o tempo. Pelo contrário, despem-se de todos os medos e preconceitos e ensinam que a passagem das primaveras é, sim, um desafio. Um desafio de se reinventar e renascer sempre.

Sete anos. sete mulheres. pouca roupa. nenhum truque.


Betty Lago



“Esse negócio de idade é complicado. Só não é quando a gente está muito bem, que nem eu. Quando comecei a desfilar, aos 18 anos, costumava cair muito na passarela, porque calçava pouco. Era uma mulher de 1,77m com pé 36. Com o tempo ele cresceu.”
Dona de uma carreira de destaque no exterior durante os anos 1970 e 1980, Betty já desfilou para nomes como Karl Lagerfeld e Thierry Mugler e, mais recentemente, se tornou um rosto conhecido da televisão brasileira, atuando em novelas como “Quatro por Quatro”, “Pecado Capital” e “O Quinto dos Infernos”. Betty se acostumou a cair. E também a se levantar.


Virginia Punko



“A gente precisa aprender a se olhar todos os dias. Toda mulher quer se ver bonita, mas tem que haver um limite. Acho lindo Photoshop, mas uma menina de 17 anos não precisa dele, precisa aprender a respirar, mexer com a luz, conhecer o seu corpo e o seu rosto.”
Antes de ser modelo internacional nos anos 1980, Virginia era a “rainha do basquete e da natação”. “Joguei com a Hortência, com a Paula. Até nas seleções brasileiras de base”.
Uma lesão no joelho aos 14 anos a levou das quadras e piscinas às passarelas. Deu certo. “Ganhei muito dinheiro, gastei muito dinheiro. Não me arrependo de nada”.



Mila Moreira



Os versos de Carlos Drummond de Andrade (1902-1987) no poema “Seis Manequins” homenageiam Mila Moreira. Hoje trabalhando como atriz -sua última novela foi “Sangue Bom”, em 2013- Mila não se lembrou das rimas exatas durante a sessão de fotos: “Eu sabia de cor isso, você vê que vão passando os anos e a gente esquece tudo mesmo”, brincou. Ela começou a trabalhar aos 14 anos, fazendo anúncios de “geladeira, secador de cabelo, tudo o que você possa imaginar”.
“Foi uma vida muito rica, mas ao mesmo tempo com pé no chão total. Ali, não podia ser estrela, senão apanhava.”




Betty Prado



“Tudo o que aprendi como modelo eu trouxe e apliquei no meu novo trabalho”, conta Betty, que hoje coordena o Bemglô, uma mistura de site de conteúdo com e-commerce. “Parei de desfilar e fotografar há muitos anos. Fiz uns trabalhos como atriz e decidi trabalhar com moda, onde eu circulava bem”. Betty foi uma das preferidas do fotógrafo alemão Helmut Newton (1920-2004). “Ele sempre me dizia que eu tinha alguma coisa de atriz. Quando me fotografava, ele costumava dizer que estava me filmando, e que a fotografia escolhida era só um frame.”



Vera Valdez



“A vida é legal, cara. Não existe um ‘momento’ legal. A gente vai vivendo e aprendendo. E aí a gente batalha.” Vera Valdez, hoje no Teatro Oficina, não tem muita paciência para falar sobre os seus tempos de modelo. “Minha época de manequim é agora. Vivi o século 20 e estou vivendo o 21, tá?” Ela estreou aos 15 anos, sob a batuta da estilista surrealista italiana Elsa Schiaparelli (1890-1973). Nos anos 50, foi a manequim favorita da lendária Coco Chanel (1883-1971), com quem trabalhou até o último desfile da estilista. “A gente brigava muito. Ela me mandava embora, depois me chamava de volta”, lembra.



Sílvia Pfeifer



“As pessoas me perguntam se eu sinto saudades de ser modelo. Não sinto”, diz Sílvia. “Sinto orgulho, isso sim. Sou feliz pelas minhas conquistas, por ter recebido um reconhecimento.” Ela começou a carreira após fazer um curso de modelos por se achar muito “desengonçada”. Nos anos 1990, depois de abandonar a passarela, fez de tudo na televisão, de “Trapalhões” à “Torre de Babel”, e hoje está na novela “Alto Astral”. “O trabalho de modelo tem um fim, como tantos outros trabalhos. Não dá para viver dele a vida inteira.”



Shirley Mallmann



“Cheguei a um ponto da carreira em que posso escolher os meus trabalhos. Não vou me aposentar. Adoro o que faço, mas não preciso fazer todos os dias.”
Shirley é considerada a primeira top model brasileira, a que abriu o caminho para Gisele Bündchen, Fernanda Tavares, Carol Ribeiro e Luciana Curtis. Trabalha com estilistas como Jean Paul Gaultier e Helmut Lang. Radicada nos EUA há mais de dez anos, mora com o marido, o cabeleireiro Zaiya Latt, e os dois filhos, Axil, 13, e Ziggy, 6. E planeja uma volta ao Brasil. Mas não agora. “Vai acontecer eventualmente. Tem que ser na hora certa. O Brasil está um pouco complicado, né?”


"a beleza ostenta serenidade"

A beleza e os verbos

por Marcelo Coelho - Folha

Vera Valdez

Dizendo que seu corpo “pediu para parar”, Gisele Bündchen, 34, anunciou o fim de uma carreira iniciada aos 14 anos.

Entre as primeiras imagens da modelo e as que conhecemos atualmente, muita coisa mudou. A Gisele de hoje já aparece, a nossos olhos, com a palavra “sucesso” carimbada na testa; o movimento selvagem dos cabelos dá a impressão de que a modelo não simplesmente olha ou anda em nossa direção: ela avança, afirmativa como poucas.

Vinte anos atrás, Gisele surgia como uma espécie de prodígio físico, combinando a naturalidade infantil do anonimato com o prazer já adulto de se saber admirada. O fotógrafo Angelo Pastorello contou à Folha que, nessa idade, Gisele “já tinha uma noção de corpo e de posicionamento para a câmera inacreditáveis.” Não falou de beleza.

No início, houve quem implicasse com o nariz dela; meio grande, meio largo, quem sabe. A modelo de maior sucesso no mundo talvez não seja a mulher mais bonita do mundo. É um clichê das próprias estrelas da moda dizerem que não se acham tão lindas assim, e pensando bem não é difícil concordar com algumas delas.

Seria engraçado fazer uma lista das supermodelos “mais feias” da atualidade. E haveria, afinal de contas, boa dose de elogio nisso: estaríamos valorizando o “talento profissional”, mais do que a condição genética das escolhidas.

A mais bonita não é a mais elegante, nem a mais charmosa, nem a mais enigmática, nem a mais “classuda”, nem a mais sexy. Será exagero dizer que a beleza, em si, “não existe”. Mas no mínimo existem diferenças entre ser bonita, estar bonita, parecer bonita, agir como se fosse bonita, e sentir-se bonita.

Ou ter sido bonita. As fotos de modelos que aparecem nesta edição se estendem por um arco que vai dos 30 e muitos aos quase 80 anos. A juventude foi aos poucos se descolando de cada rosto; de forma ainda mais espantosa, ainda mais nessas imagens de nudez, é a própria pele que parece se descolar do corpo.

Vemos que a pele, afinal, não passa de outra roupa, de um tecido especial, entre os vários que se deitam e se dobram aos pés das retratadas. O drapeado de todos os vestidos com que desfilaram se imobiliza; o andar rápido, a pressa inatingível das modelos na passarela se transforma, em tons de cinza claro e azul pálido, numa queda lentíssima de geleira.

Se o corpo é outro, o espírito parece contudo indestrutível. Estas modelos continuam a ser modelos, continuam a ser intocavelmente perfeitas quando se colocam diante da câmera fotográfica.

Aquele clássico ar de poucos amigos, que não se pretende sedutor, funciona nas fotos de moda, independentemente da idade. Estou acima de você: sou um ideal que você jamais alcançará; nem de roupa preciso, que dirá de juventude, para que minha superioridade se comprove. Eis os olhos semicerrados; o nariz de faca; o cabelo triunfal; os ossos, os ossos, os ossos.

Impactado pelas saudabilíssimas jovens californianas de seu exílio, na década de 1940, o filósofo alemão Theodor Adorno (1903-1969) desenvolveu a teoria de que, mesmo pelo telefone, é possível saber se uma mulher é bonita ou não.

Ele queria dizer que a beleza física ajuda a criar autoconfiança extrema, e certeza de se estar sendo sedutor. Será?

Pelo menos no começo, nos primeiros encontros, na conversa pelo telefone, a beleza ostenta serenidade. Mas o contrário também acaba acontecendo. Não digo a pessoa bonita, mas a pessoa absolutamente estonteante, pode se tornar insegura, mimada, infantil até a loucura.

Qualquer um de nós provavelmente se acha melhor pessoa agora do que quando tinha quarenta, trinta, vinte, quinze ou sete anos (escolha conforme a sua faixa etária).

De modo que continuamos vaidosos. Sorte nossa. Ai das câmeras! Que nos suportem bem.
Arnaldo Antunes

é 'marromenos' assim...


hoje é dia de preparar o almoço da patroa. acorda, macacada.






Fotos: Ivaldo Donato


o interesse sexual do brasileiro em cada estado, segundo o google


ela não viveu para ver o fim do horror militar.

Em memória de uma vítima esquecida do mundo que a Globo ajudou a criar em 1964. 

Por Paulo Nogueira



Uma figura feminina aparece na minha mente sempre que leio a respeito do papel da Globo no golpe de 1964.

Não a conhecia até recentemente, mas me apaixonei assim que a vi.

Ela estava num documentário sobre o golpe a que assisti no ano passado.

É um trabalho rústico, uma câmara e depoimentos. E é sublime como retrato de uma época sinistra.

O documentário foi gravado em 1971, no Chile. Os autores foram dois cineastas americanos – Haskell Wexler e Saul Landau — que estavam no Chile para entrevistar Allende.

Eles souberam que havia um grupo de exilados brasileiros com histórias de tortura e decidiram registrá-las com sua câmara. O grupo tinha sido trocado pelo embaixador da Suíça no Brasil.

Surgiria, como que por acaso, “Brasil, um relato da tortura”, um pequeno épico do cinema que não se curva aos poderosos. Eram talentosos os americanos. Haskell posteriormente receberia dois Oscars por trabalhos na área de fotografia de grandes produções de Hollywood.

É uma mulher que me fisga no filme, uma jovem médica que narra as barbaridades que ela e os companheiros sofreram nas mãos dos agentes da ditadura.

Ela é bonita, articulada, e pesquisando vejo que fascinou também os documentaristas americanos.

Ela tinha 25 anos na ocasião, e riu ao lembrar as torturas, que narrou meticulosamente. Parecia invencível diante das violências.

“Fui colocada nua numa sala com cerca de 15 homens”, disse ela. “Fui espancada e esbofeteada.”

Seu rosto bonito ficou, contou ela, completamente deformado, conforme queriam os algozes.

Durante a sessão puseram num volume ensurdecedor “música de macumba”, e ela lembrou que os torturadores pareciam “excitados, felizes” como se estivessem numa festa.

A certa altura, a agarraram pelos seios e puseram uma tesoura em seu mamilo. Pressionavam e soltavam, e ameaçavam extirpá-lo. Também diziam que iriam matá-la.

Uma das forças do vídeo é que os entrevistados mostram como eram as torturas, como o pau de arara. São reproduções realistas e assustadoras.

Comecei a ver, por sugestão de minha filha Camila, e não consegui parar em quase 1 hora de conteúdo extraordinário. Fiquei perturbado como há muito tempo não ficava.

E depois quis saber mais das pessoas. Particularmente dela: passados mais de quarenta anos, que estaria fazendo?

E então vem a parte triste. Como escreveu Machado de Assis em Dom Casmurro quando as coisas degringolam, pare aqui quem não quer ver história triste.

Maria Auxiliadora Lara Barcelos, este o nome daquela guerreira que comoveu aos cineastas e a mim. Dora ou Dodora, como a chamavam.

Ela não viveu para ver o fim do horror militar.

Pouco tempo depois, como Ana Karenina, se jogou sob as rodas de um trem. Ela estava com problemas psiquiátricos derivados da selvageria a que foi submetida, e tinha acabado de se consultar com seu médico.

Morava, então, em Berlim.

Dois anos depois de feito o documentário, Pinochet tomou o poder no Chile, e Dora teve que partir de novo.

Primeiro foi para a Bélgica, e depois para a Alemanha Ocidental. Era brilhante: passou em primeiro lugar entre 600 estrangeiros e conseguiu aprovação para complementar seus estudos de medicina na Universidade de Berlim.

Fiquei triste, quase enlutado, ao saber do que ocorreu com ela. Já imaginava entrevistá-la, e especulava sobre como ela estaria hoje. Conservaria vestígios da beleza sobranceira e altiva do passado?

Num voo mental, penso que se ela tivesse nascido na Escandinávia, hoje seria uma avó, cheia de histórias para contar aos netinhos. Fantasio-a de bicicleta em Copenhague, feliz entre pessoas que são felizes porque aquela é uma sociedade como prescreveu Rousseau: sem extremos de opulência e de miséria.

Mas ela nasceu e cresceu na terra da iniquidade, que combateu com coragem assombrosa e idealismo inexpugnável. Não há em sua fala vestígio de remorso por ter caminhado o caminho que escolheu.

Em Laura, o filme clássico de Preminger, o detetive se apaixona pela foto de uma mulher assassinada. Como que me apaixonei por Dora ao vê-la no documentário.

Fico tolamente satisfeito quando minha filha Camila me conta que, pesquisando, descobriu que Dilma prestara tributo àquela brasileira indomável.

Em fevereiro de 2010, quando o PT confirmou a candidatura de Dilma para a presidência da república, Dilma disse em seu discurso: “Não posso deixar de ter uma lembrança especial para aqueles que não mais estão conosco. Para aqueles que caíram pelos nossos ideais. Eles fazem parte de minha história. Mais que isso, eles fazem parte da história do Brasil.”

Dilma citou três pessoas. Uma delas era Dodora. “Dodora, você está aqui no meu coração.”

E no meu também.

E é nela que penso quando reflito sobre o papel da Globo no golpe.

E nela projeto todos os outros tombados.

A Globo ficará eternamente impune – rica e impune — pelos assassinatos que indiretamente promoveu ao abrir as portas para a ditadura?

Nem um miserável pedido de desculpas será endereçado à memória de Dodora?

Ninguém a protegeu em vida, que ela ceifou ao se atirar sob as rodas de um trem nas remotas terras germânicas.

E a opulência impeninente da Globo em seu conquentenário mostra que também na morte Dodora continua desprotegida.

Roberto Marinho virou bilionário com o mundo que ele se empenhou tanto por moldar, o das botas e das metralhadoras assassinas, e Dodora só conseguiu escapar de tudo sob as rodas de um trem.

Tinha 31 anos.

boa noite, uma porra.