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quarta-feira, 30 de julho de 2014

As coisas estão mudadas. Produtos tidos como simples, modestos e baratos, enchem os olhos da burguesia paulistana. Só estando vivo para acreditar.

Tutano ganha a atenção de chefs; saiba onde comer e comprar em SP

Bel Feire - Folha




Em um restaurante francês elegante de São Paulo, o garçom traz à mesa dois ossos de boi equilibrados em pé sobre o prato. O que interessa ali, no Ici Bistrô, não é a guarnição de torradinhas e vinagrete de salsinha, mas o interior do pedaço de esqueleto, gorduroso e rico em sabores.



Em outra parte da cidade, no balcão da recém-inaugurada lanchonete Z-Deli Sandwich Shop, uma das atrações é o Black Burger, com hambúrguer, molho roti e, literalmente, um pedaço de tutano.


No Black Burger, do Z-Deli, o tutano vai sobre a carne

Macio e gelatinoso, ele é encontrado dentro dos ossos dos animais. Gorduroso e de sabor intenso, faz parte da tradição culinária de diversos países, como a Itália, onde é preparado com o ossobuco (corte da perna do boi que vem com carne e osso). Na França, é servido assado e em molhos, como o bordelaise (à base de vinho tinto).

Até o livro de cozinha da portuguesa infanta D. Maria (1521-1577) continha receita de pastéis de tutano. No Brasil, vai na geleia de mocotó doce ou salgada, tradicional em regiões como o Sul.

Em São Paulo, voltou a receber a atenção de chefs, como Alberto Landgraf, que serve o tutano em dois pratos do Epice, um do menu fixo (com mandioquinha) e outro do degustação (com músculo).

(...)

Vamos assinar a CTPS dos trabalhadores domésticos, moçada. A culpa vai te pegar.








Estão todos convidados. Sinta, pela primeira vez, a emoção de receber um autografo à distância. Favor não portarem canetas e/ou grampeadores.




Mikhail Bakunin

Mikhail Aleksandrovitch Bakunin, também aportuguesado de Bakunine ou Bakúnine, foi um teórico político russo, um dos principais expoentes do anarquismo
 em meados do século XIX. 

Nascimento: 30 de maio de 1814, Torzhok, Rússia
Falecimento: 1 de julho de 1876, Berna, Suíça
Educação: Universidade Estatal de Moscovo
Obras: Deus e o Estado, Estadismo e Anarquia

Wikipédia

Mesmo o estudo apontando esse significativo aumento, percebe-se claramente que elas ainda não desistiram de nós. Cabe-nos, antes que seja tarde, abrir um crédito no florista e exibir um sorriso na hora em que elas se aproximarem. Nada demais, basta praticar. Só a gentileza nos salvará.

A inteligência das mulheres aumentou mais que a dos homens durante o século XX, diz estudo.
A qualidade de vida melhorou para a maioria dos europeus durante esse período. O mesmo aconteceu com suas habilidades cognitivas. O avanço feminino foi maior.
Época

A física nuclear Irene Joliot-Curie e seu marido, o cientista Jean Frederic Joliot-Curie, na primeira metade do século XX. Quando a qualidade de vida aumenta, elas se beneficiam mais (Foto: Getty Images)
A física nuclear Irene Joliot-Curie e seu marido, o cientista Jean Frederic Joliot-Curie, na primeira metade do século XX. Quando a qualidade de vida aumenta, elas se beneficiam mais (Foto: Getty Images)


Viver bem faz bem para o cérebro. Os cientistas – e o senso comum – não têm dúvidas de que melhores condições de alimentação, moradia e lazer, no geral, trazem benefícios à cognição. Durante o século XX, a qualidade de vida melhorou, sobretudo nos países desenvolvidos.  Taxas de desnutrição e mortalidade infantil despencaram, a expectativa de vida se elevou e as pessoas passaram a ter acesso a melhores e mais modernos tratamentos de saúde. As mudanças fizerem bem aos cérebros de todos. Uma parcela da população, no entanto, se beneficiou mais que outra. De acordo com um novo estudo publicado no periódico Proceedings of the National Academy os Sciences, as capacidades cognitivas das mulheres melhoram mais que as dos homens quando aumenta a qualidade de vida. “Quando as condições de vida melhoraram, também melhoram as habilidades cognitivas de mulheres e homens. Mas as mulheres foram as maiores beneficiadas”, disse  Agneta Herlitz, coautora do estudo e psicóloga do Instituto Karolinska da Suécia.


Para chegar a essa conclusão, os cientistas analisaram 30 mil pessoas de 13 diferentes países europeus. Todas nascidas entre 1923 e 1957. Foram avaliadas suas habilidades com números, sua capacidade de recordar momentos e de nomear objetos e lugares. Seus resultados nos testes foram comparados com dados a respeito das condições sociais em que essas pessoas viviam quando tinham 25 anos: taxa de fertilidade, mortalidade infantil, nível educacional, expectativa de vida e produto interno bruto.

A comparação mostrou que os resultados de todos melhoraram, acompanhando a evolução dos indicadores sociais. As capacidades cognitivas das mulheres, no entanto, deram um salto. Foram elas as que mais avançaram, beneficiadas pelas melhores condições experimentadas pela sociedade. Os pesquisadores não sabem explicar por que isso aconteceu. Têm uma teoria: segundo Herlitz, no geral, as mulheres são menos bem tratadas que os homens. As famílias mimam seus meninos mais que suas meninas. Por isso, sobretudo nos primeiros anos do século passado, o ponto de partida é mais baixo para elas. Os incrementos na qualidade de vida funcionam como uma compensação, que permite que elas se desenvolvam mais. Os homens também se beneficiam, mas não mudam tanto.

Os resultados não foram homogêneos. Em algumas habilidades, a performance masculina foi melhor. As mulheres têm piores resultados, por exemplo, na capacidade de lidar com números. Segundo os pesquisadores, essa dificuldade também tem fundo social: no geral, as mulheres são menos encorajadas que os homens a estudar matemática.

Segundo o site The Verge, esse tratamento diferente legado a homens e mulheres ajuda a explicar porque a pesquisa de Herlitz preferiu usar o termo “gênero” em lugar de “sexo”: enquanto diferenças sexuais são resultado da biologia, o gênero  é um categoria social. “Gênero” envolve a forma como pessoas são tratadas e vistas e qual lugar ocupam na sociedade.  Influi também no tipo de privilégios a que essa pessoa tem acesso.

Influenciados por esse raciocínio, alguns especialistas em cognição humana preferem dar mais peso a fatores ambientais (como o tratamento social reservado a cada gênero) que a fatores biológicos, ao tentar explicar as diferentes habilidades demonstradas por homens e mulheres: “Se houvesse algum tipo de forte e imitável diferença biológica, nós não observaríamos essa evolução nas habilidades ao longo do tempo, nem as diferenças encontradas em diferentes regiões do mundo”, disse David Reilly, psicólogo da Universidade Griffith na Austrália, ao The Verge.

Alô Cajá, alerta Sales Fernandes. Haveremos de perguntar: os cajazeirenses irão votar por votar? Não vão exigir uma firme posição por parte de "nossos" representantes? A hora é essa! Ou, então, nos calemos para sempre.

Congresso votará programa de apoio à aviação regional





O Congresso irá deliberar sobre a Medida Provisória 652/2014, editada em 25 de julho último pelo governo federal para criar o Programa de Desenvolvimento da Aviação Regional, que tem como objetivo atender à crescente demanda por transporte aéreo no país e integrar comunidades isoladas à rede nacional de aviação civil. De acordo com estimativa da Agência Nacional de Aviação Civil, considerando o total  de embarques e desembarques nos aeroportos brasileiros, deverá chegar a 380 milhões o número de passageiros no Brasil em 2020. O desenvolvimento da aviação regional é uma reivindicação frequente dos senadores e foi tema de audiências públicas em duas comissões no Senado, em junho. 

E se...


'Se Aécio Neves fosse um senador ou apenas ex-governador de Minas, o assunto poderia ir para o gavetão de casos pendentes, onde estão outras questões. (...) A diferença está no fato de que ele é candidato a presidente da República. A sua atitude em relação ao episódio instrui o julgamento que se faz de sua postulação, refletindo-se sobre o que faria se episódios semelhantes acontecessem quando ele estivesse no Planalto. "De novo?" e "está tudo esclarecido" são impaciências imperiais.'

Elio Gaspari  - Folha

"É uma joia"

Uma pequena joia

Martha Medeiros  - 

Não sei se é de família ou hábito apenas da minha mãe, só sei que, entre nós, qualquer preciosidade é chamada de joia. Pergunto para minha mãe sobre um filme ou sobre um lugar que ela conheceu, e se ela responde que é bonito é porque é bonito, se responde que é interessante é porque é interessante, mas quando ela diz “é uma joia”, logo me sento e me disponho a ouvir os detalhes. 



E ela não diz joia referindo-se àquela gíria que não se usa mais. Se ela diz que é uma joia, é algo especial, em que se deve prestar atenção. E se ela diz: “É uma pequena joia”, aí é porque a coisa é grandiosa mesmo. Em casa sempre rezamos pela cartilha do “menos é mais”, preferindo as pequenas joias em detrimento das ostentosas. Um discreto ponto de luz, um brilhante comedido, algo que reina sem pompa, o clássico que não se pavoneia, a elegância que não é extravagante: isso.

Que fique bem claro: "sem a intermediação de terceiros."


O manual "Gestão de Recursos Federais" tem o objetivo de orientar os agentes do município sobre os procedimentos necessários para a obtenção, a aplicação e o controle de recursos públicos federais.

A publicação adota termos claros e correntes de forma que o agente municipal execute os processos de solicitação e aplicação de recursos federais sem a intermediação de terceiros.

Baixe o manual gratuitamente em http://goo.gl/px1P3

"A mãe, a atriz e a anti-petista indignada Maria Zilda Bethlem, poderia dormir sem essas escutas comprometedoras do filho."

Bethlem: Investigação sobre suposto esquema de corrupção começa hoje
Em rede social, a atriz Maria Zilda defende filho e diz que Rodrigo foi vítima da ex, a quem classifica de ‘doente mental’

O DIA


Rio - Vereadores da Câmara do Rio começam, hoje, a se reunir para articular medidas para investigar o suposto esquema de corrupção envolvendo o ex-secretário de Assistência Social e deputado federal Rodrigo Bethlem (PMDB). 

Hoje, começam também a auditoria da Controladoria Geral do Município, da Procuradoria Geral do Município e da Corregedoria Geral do Município em todos os contratos feitos por todas as secretarias por onde Bethlem passou no período em que esteve na prefeitura, entre 2009 e abril de 2014. 

A atriz Maria Zilda Bethlem saiu em defesa do filho no Facebook. No texto, ela diz que Bethlem foi vítima da ex-mulher Vanessa Felippe — que revelou o caso — a quem Maria Zilda chama de “doente mental”. “Digno, decente, um pai impecável, um ser humano de generosidade ímpar! Vítima de uma doente mental, perdedora e rancorosa! Paz e luz para minha família que vai segurar com ele, de cabeça erguida, isso tudo! Posso atestar sua honestidade. E há 20 anos, quando ele começou na política eu avisei a ele: ‘cuidado, você não é malandro nem mau caráter. Um dia você poderá sofrer!’”.

Também nas redes sociais, dezenas de pessoas deixaram mensagens, a maioria ‘culpando’ Vanessa. “Sabemos das suas boas condutas, deputado, nem precise se preocupar com isso. As pessoas agem de má-fé para prejudicar os outros”, escreveu Tiago Petrova. Já Ronaldo Cunha postou “O que é bom tem que continuar, Rodrigo Bethlem, o criador do Choque de Ordem, do Abrigamento Compulsório para usuários de crack”.

Vanessa Felippe estaria arrependida 

Na última sexta-feira, a ex-esposa do deputado federal, Vanessa Felippe, divulgou gravações de conversas com Bethlem, em que ele revelaria ter aberto conta na Suíça e que receberia um salário de até R$ 100 mil, fruto de desvio de dinheiro de convênios feitos com o município. As conversas, segundo reportagem das revistas ‘Veja’ e ‘Época’, teriam sido gravadas em 2011, no apartamento de Vanessa, na Barra. 

“Você está careca de saber que fui à Suíça abrir uma conta. Não seja hipócrita”, teria dito Bethlem em uma gravação. Em defesa, ele alegou que Vanessa está arrependida e, em um documento registrado em cartório, ela admite que as denúncias são mentirosas.

Acho que desta forma conseguiremos nos entender.

"o governo de Israel está promovendo verdadeiras incubadoras de ódio ao povo hebreu."

Tenho queridos amigos judeus a quem respeito muito. Eles estão sofrendo imensamente com a situação na Faixa de Gaza e com o crescente antissemitismo no mundo todo. O que não entendem é que o maior responsável por esse antissemitismo é exatamente o Governo de Israel. 

É de se prever a reação global à política expansionista e massacrante desse governo, junto com o governo norte americano, em relação aos territórios palestinos invadidos e ocupados. Criaram, nessas terras, imensos campos de concentração em que a população, encurralada, perdeu sua autonomia e liberdade. Nessas circunstâncias, crianças que sobreviverem ao genocídio serão novos inimigos mortais de Israel. Assim, infelizmente, o governo de Israel está promovendo verdadeiras incubadoras de ódio ao povo hebreu.

Eu não quero isso. Não acredito que povos do mundo todo, indignados com essa política e com o massacre promovido por Israel, rejeitem, naturalmente, os judeus. Mas é importante um posicionamento destes em relação ao que ocorre na Faixa de Gaza.

Ana de Holanda

S/C

terça-feira, 29 de julho de 2014

Como era bom o nosso Cine Éden. E nem tinha essa de tecnologia Digital em 3D, som DOLBY SURROUND. Porra nenhuma, era tudo na base do beijo. Não havia nem tempo de se perceber as falhas...

Se é livro de Xico Sá, indicamos sem pestanejar.


O livro das Mulheres Extraordinárias. 
Q diabé isso? Livro em q me derreto, em crônicas da devoção pura, a musas da pornochanchanda, musas pops, musas do cinema, da literatura, da tv... Cantadas literárias sem medo de rejeição. 

Um merecido prêmio para um talento que a todo momento se reinventa. Parabéns, Marcélia.

Marcélia Cartaxo ganha prêmio de melhor atriz no Paulínia Film Festival

Postado por: Christiano Moura  



Primeiro longa-metragem de Camilo Cavalcante (de curtas premiados como O Velho, o Mar e o Lago), A História da Eternidade foi o grande vencedor da 6ª edição do Paulínia Film Festival (SP).

Foram cinco categorias com oito prêmios para a produção pernambucana na cerimônia realizada no último domingo, no Theatro Municipal Paulo Gracindo. O filme recebeu a Menina de Ouro de Melhor Filme, Diretor, Ator (para Irandhir Santos) e Atriz, que foi dividido pelas três protagonistas: Debora Ingrid e as paraibanas Marcélia Cartaxo e Zezita Matos, além do prêmio especial do Júri da Associação Brasileira de Críticos de Cinema (Abraccine).

O filme acompanha um artista epilético (Irandhir) que ajuda sua sobrinha (Ingrid) a ver o mar pela primeira vez, uma viúva (Cartaxo) que começa a abrir seu coração para o cego do vilarejo e uma avó (Matos) que recebe a visita do neto, cujo regresso se deu em virtude da fuga de um passado turbulento em São Paulo.

Para viver uma das histórias de amor em um pequeno vilarejo do sertão nordestino, a cearense Debora Ingrid foi selecionada através de testes em várias cidades. Já as paraibanas tiveram a predileção do diretor. “Ele falou aqui em Paulínia que escreveu pensando em mim”, conta Zezita Matos. “Camilo queria muito que eu fizesse esse filme”, relembra Marcélia, que não pôde comparecer ao evento.

Por pouco A História da Eternidade não participou da mostra paulista. O filme entrou no último momento, substituindo um documentário de Paulo Henrique sobre a cantora e compositora Cássia Eller que não ficou pronto a tempo.

Zezita, que traz na sua bagagem os dois prêmios Menina de Ouro, somente teve oportunidade de assistir ao longa pronto no Paulínia Film Festival. “Foi tudo lindo. O público se identificou demais com o filme, que é muito visceral. Ele foi aplaudido três vezes na exibição”, frisa a atriz.

“É uma história muito sofrida e forte”, analisa Marcélia Cartaxo. “É uma história de mulheres nordestinas. Eu fui buscar sentimentos e verdades na vivência dessa história”.
A História da Eternidade consagra também o cinema de Pernambuco. É o segundo filme do Estado vizinho consecutivo a vencer como Melhor Filme em Paulínia. Febre do Rato, de Cláudio Assis, ganhou em 2011, quando o festival foi interrompido. Aliás, o pernambucano Irandhir Costa vai colecionando prêmios no evento. Além deste, o ator venceu em 2009 pelo papel em Olhos Azuis, de José Joffily, e como o protagonista de Febre do Rato.

Uma das sequências do filme de Camilo Cavalcante apontadas por Zezita Matos em que foi ovacionada pelo público de Paulínia foi em que Irandhir interpreta ‘Fala’, música do Secos e Molhados.

CONFIRA A LISTA COMPLETA DA PREMIAÇÃO:

LONGA-METRAGEM

Filme: A História da Eternidade, de Camilo Cavalcante
Melhor Direção: Camilo Cavalcante, por A História da Eternidade
Ator: Irandhir Santos, por A História da Eternidade
Atriz: Márcelia Cartaxo, Zezita Matos e Debora Ingrid, por A História da Eternidade
Ator coadjuvante: Marcelo Novaes, por Casa Grande
Atriz coadjuvante: Clarissa Pinheiro, por Casa Grande
Roteiro: Fellipe Barbosa e Karen Sztajnberg, por Casa Grande
Fotografia: Mauro Pinheiro Júnior, por Sangue Azul
Montagem: Eva Randolph, por Aprendi a Jogar com Você
Som: Thiago Bello, por Castanha
Direção de arte: Claurio Amaral Peixoto, por Boa Sorte
Trilha Sonora: Juliana Rojas, Marco Dutra e Ramiro Murilo, por Sinfonia da Necrópole
Figurino : Juliana Prysthon, por Sangue Azul
Especial Júri: Felipe Barbosa, por Casa Grande

CURTA-METRAGEM

Filme: O Clube, de Allan Ribeiro
Direção: Allan Ribeiro, por O Clube
Roteiro: Carolina Markowicz e Fernanda Salloum, por Edifício Tatuapé Mahal
Especial Júri: O Bom Compartamento, de Eva Randolph
Prêmio do Público
Longa-metragem: Boa Sorte, de Carolina Jabor
Curta-metragem : O Clube, de Allan Ribeiro
JÚRI ABRACCINE – Associação Brasileira de Críticos de Cinema
Longa-metragem: A História da Eternidade, de Camilo Cavalcante
Curta-metragem: O Clube, de Allan Ribeiro

Blablablá

Que linda é a "Nova Política" !!! 

Me prometeram unzinho', diz dono de comitê de Campos e Marina!!!


E eu acredito que a Marina não sabia da promessa de pagamento. Ela não controla a política, como ela imagina controlar. O discurso é fácil, difícil, quase impossível, é fazer alianças com quem se pode confiar de fato.

Por isso não entende o neo-anti-petismo dessa gente. Nenhuma diferença seria capaz de levá-los ao colo dos adversários. É negar sua própria história. 

Alexandre Porto


Dono de 'comitê voluntário' do PSB diz que esperava ser pago por apoio

Folha 
Campos e Marina, em visita à casa eleitoral oferecida por Edivaldo (de camisa listrada), em Osasco


S/C

Que FBI, que nada. A polícia do Rio anda insuperável. Pense!

Veja objetos subversivos para a Polícia do Rio. Se tiver um, livre-se dele

Leonardo Sakamoto - Folha 



Um dos objetivos do jornalismo é oferecer serviço público de qualidade. Pensando nisso, este blog decidiu analisar uma série de objetos que foram apreendidos pela polícia do Rio de Janeiro no cumprimento dos mandados de busca e apreensão na casa de suspeitos de violência em manifestações.

Pólvora, cepas de ebola, plutônio enriquecido? Não, os subversivos ficaram engenhosos e, portanto, a polícia evoluiu também. Não se iludam com a aparência inocente desses produtos do dia a dia. Nas mãos certas, transformam-se em armas de destruição em massa, capazes de depor governos e incitar revoluções. A lista completa pode ser encontrada em matéria da Folha de S.Paulo desta terça (29).

Se você tem algum desses elementos em casa, livre-se deles. A inteligência da Polícia do Rio de Janeiro, treinada na mesma escola de investigação das forças de ocupação norte-americanas no Iraque que procuraram armas de destruição em massa, está de olho. Piscou, perdeu.


Isto não é um grampeador, já dizia o terrorista René Magritte. Nas mãos certas, isso se transforma-se em arma capaz de subjugar qualquer representante das forças de segurança cariocas. Quem nunca grampeou o próprio dedo que atire a primeira pedra.
Isto não é um grampeador, já dizia o terrorista René Magritte. Nas mãos certas, isso se transforma-se em arma capaz de subjugar qualquer representante das forças de segurança cariocas. Quem nunca grampeou o próprio dedo que atire a primeira pedra.



Da mesma forma, este saca-rolhas pode causar lesões perfurocortantes contundentes se usado com destreza.
Da mesma forma, este saca-rolhas pode causar lesões perfurocortantes contundentes se usado com destreza. Há relatos de sommeliers que se machucaram severamente com este objeto.


O rolo de fita crepe é um antigo conhecido da polícia. A última vítima dele, na eleição de 2010, teve que fazer uma ressonância magnética no cérebro e quase morreu.
O rolo de fita crepe é um antigo conhecido da polícia. A última vítima dele, na eleição de 2010, teve que fazer uma ressonância magnética no cérebro e quase morreu.


Caixa de papelão. Mortal nas mão do MacGyver.
Para vocês, uma caixa de papelão. Para o MacGyver, uma bomba arrasa-quarteirão.



Lanterna. Capaz de causar um acidente se apontada diretamente para olho de um motorista que venha no sentido contrário em uma estrada escura.
Lanterna. Capaz de causar um acidente se apontada diretamente para olho de um motorista que venha no sentido contrário em uma estrada escura e chuvosa.


Camiseta do Nirvana. Há indícios que seja o símbolo de uma seita de suicidas liderados por Kurt Cobain.
Camiseta do Nirvana. Há indícios que seja o símbolo de uma seita de suicidas liderados por Kurt Cobain.


Revista História Viva. Porque conhecer o passado é coisa de subversivo.
Revista História Viva. Porque “gente de bem'' não precisa conhecer o passado. Isso é coisa de subversivo.


Mouse. Acusado de incapacitar milhões por causar lesões por esforços repetitivos (que antes chamávamos apenas de tendinite).
Mouse. Acusado de incapacitar milhões por causar lesões por esforços repetitivos (a.k.a. tendinite).




BAKUNIN

Segundo matéria publicada nesta segunda-feira pelo jornal Folha de S. Paulo, uma professora universitária carioca, suspeita pela Polícia Civil de ser uma das organizadoras de ações violentas em protestos na capital fluminense, teria utilizado o nome do filósofo russo Mikhail Bakunin em um telefonema interceptado pela investigação da Polícia. A partir daí, o filósofo passou a figurar como um dos participantes dos protestos considerados violentos pela polícia.

Tudo estaria bem, não estivesse Bakunin morto desde o século XIX.

Segundo a professora, que estava presa e teve liberdade provisória concedida pela justiça, o processo com mais de duas mil páginas aberto pela Polícia Civil do Rio de Janeiro contra 23 participantes de protestos é uma "obra de literatura fantástica de má qualidade".

A Rita pode, sim.

Leitura obrigatória: "As redações que outrora abrigava o pluralismo da sociedade hoje é reduto da velha direita. Aqueles que fizeram 1964 podem se orgulhar. Seus filhotes cresceram, ganharam musculatura. A direita venceu".

Os jornalistas precisam aprender a ouvir
Sidney Rezende



A gigantesca massa humana que foi às ruas reivindicar mais qualidade de vida no ano passado obrigou-nos a refletir sobre o melhor modelo de como levar informação da luta social ao cidadão brasileiro. É como se nosso ofício diante daquela fratura exposta tomasse de 7 X 1. O impacto dos protestos repercutiu nas mídias local e global.

Na ocasião, a imprensa foi duramente criticada. Talvez um pouco menos que governantes que não conseguiram melhorar os seviços de transporte, saúde, educação e segurança do país. O movimento popular entrou para a história e provavelmente demorará muito tempo a se repetir.

O reflexo é sentido até hoje. Foi um bom momento para transformações. Mas ele foi desperdiçado. Esperava-se inovações nas práticas democráticas na nossa relação com a sociedade. É frustrante constatar que elas não vieram. Nem por parte da estrutura política e nem pelo modelo de gestão da Comunicação.

Paralelamente, a "Mídia Ninja" e as ações dos black blocs partiram para o confronto e suas ações desencadearam mudanças na forma de cobertura de manifestações públicas. Principalmente da maneira como os repórteres sempre cobriram estes eventos. Ficou perigoso identificar o profissional com o veículo de comunicação a que ele pertence.

Os repórteres foram descobrindo aos poucos, e de repente, que ocupar as ruas era muito perigoso. Alguns se intimidaram. Nosso dever é o oposto. Jornalistas têm a obrigação de estar justamente onde não se quer que eles estejam. Levar a notícia é parte inerente da vida de quem jurou se dedicar a este ofício.

Neste momento, estamos mal parados. Nos últimos 15 meses, assistimos impassíveis a multiplicação do "Jornalismo Biquíni", aquele que "mostra coisas interessantes, mas esconde-se o essencial". O jornalismo tornou-se partido político e o jornalista torna-se notícia. E ainda pensa que isso é o certo. Não é.

Antes de tudo isso, já se reclamava que a imprensa publicava a acusação sem devida apuração. Quantas vezes ouvimos que a denúncia ganha destaque na capa e o desmentido é publicado no rodapé da página interna.

Não é de hoje que nos acusam de destruir reputações. Tom Wolfe, colega ilustre, já disse isso certa vez: "Só existem duas maneiras de fazer carreira em jornalismo. Construindo uma boa reputação ou destruindo uma".

Um dia um empresário me disse com toda a educação: "Por que quando realizo um evento importante no meu hotel vocês não citam o nome do estabelecimento? Mas se tiver um incêndio num quarto o nome do hotel é estampado na capa em letras garrafais?".

Precisamos parar de apontar o dedo em riste para quem julgamos ser os culpados. Jornalista não prende, não realiza inquérito, não julga. Jornalista deve informar tudo o que é pertinente ao fato. Não existe neutralidade,e sim, isenção. Notícia não tem somente dois lados, e sim vários. Em alguns casos, incontáveis.

Jornalista está se achando mais importante do que ele é. E com esta falsa convicção estamos sendo conduzidos para o cadafalso.

Esta longa introdução é para chegarmos até uma conclusão simples: nós, jornalistas, não gostamos de ouvir. Não sabemos ouvir. Não aceitamos críticas. Somos arrogantes mesmo que não pensemos isso de nós. Talvez porque sejamos tão ludibriados, enganados por fontes maldosas e presos a horários perversos, que já partamos do princípio que estamos certos.

Por não termos paciência com o outro, mesmo que este "outro" seja a fonte que alimenta nosso "produto", estamos multiplicando este "ebola da arrogância" para as novas gerações de profissionais. E o grave é que os meninos que estão chegando são filhos de uma escola deficiente, com má formação cultural, educacional e intelectual.

E o mais grave, essa turma diz detestar política. Arrisco dizer que a maioria sequer sabe a diferença do que faz um deputado para um senador.

Nas redações, nossos templos de trabalho, os jornais de papel e as revistas raramente são abertos. Nada é lido. Os garotos dizem que esse hábito é para idoso. O aparelho de TV fica ligado num só canal. Por isso se tem uma visão única. Neymar disse que jogadores brasileiros têm preguiça de treinar. Jornalistas têm preguça de ler. O rádio, veículo sempre atual, é algo alheio à "cultura" da nova geração.

Mas será que os focas não se informam pela internet? Falso. A esmagadora maioria prefere trabalhar no ar condicionado, não circular onde está a notícia, não andar pelas ruas, não conversar pessoalmente com o povo. Se pudessem escolher a opção, seria navegar nas redes sociais. Os jovens curtem basicamente o que circula no Facebook.

O compromisso primário da profissão: "Para quem trabalho? Para que serve meu ofício? Dedicação máxima para levar informação para quem não tem, ser útil aos pobres" são utopias.

Na verdade, estamos caminhando para algo parecido com o que fez o mocinho de o "Planeta dos Macacos". Seu laboratório gerou uma nova espécie de símio.

O problema de não sabermos ouvir as ruas está nos empurrando para o descrédito. A imprensa surtou. Ao mesmo tempo que se chama ativistas sociais de vândalos, também é permitido chamá-los de jovens. Depende da ocasião. O pêndulo vai para um lado ou para outro conforme interesse específico.

As redações que outrora abrigava o pluralismo da sociedade hoje é reduto da velha direita. Aqueles que fizeram 1964 podem se orgulhar. Seus filhotes cresceram, ganharam musculatura. A direita venceu.

Vamos ouvir mais a opinião pública e menos a publicada, antes que seja tarde.

Para de fazer birra.

Eu gosto de ser branca.

por not marriage material




Eu gosto de ser branca. Eu gosto da cor da minha pele, eu gosto dos meus traços, eu gosto do meu cabelo lisinho e meio loiro. E sabe por que eu gosto? Porque sempre foi muito fácil gostar. Nunca, implícita ou explicitamente, alguém me disse alguma coisa que me fizesse sentir que havia algo de errado, algo de feio, algo de esquisito, na minha pele branquinha, no meu cabelo loirinho. Nunca disseram pra minha mãe que ela deveria fazer alguma coisa a respeito do meu cabelo. A maioria nas universidades é branca. A maioria nos concursos públicos é branca. São os brancos também que tem mais dinheiro.

Sou mulher, e já fui destratada de diversas formas e sofri violências de diversos tipos por ser mulher, e as vezes por outros motivos, mas nunca simplesmente por ser branca.

Então, gostar de ser branca eu até posso dizer que gosto, porque as minhas vivências como pessoa branca não me ofereceram nenhuma dificuldade em aceitar isso como valor positivo. Agora orgulho? Orgulho pra que? Orgulho de que? Eu não conquistei isso, eu nasci assim e por ter nascido assim já me foram concedidos muitos privilégios. Se eu não tenho tudo de mão beijada, e eu não tenho, se eu preciso lutar pra conquistar muitas coisas, e eu preciso, isso não passa ainda pela luta pra mostrar que minha cor tem o mesmo valor que a sua.

Esses dias eu ouvi alguém (branco) dizendo: “eu não vou ter vergonha da minha cor”. Pois é, não vai mesmo, essa é justamente a questão. Gente branca nunca precisou ter vergonha da própria cor. Se você é branco você já ganhou um ponto positivo na média. Uma estrelinha. Você quer quantas? Ou você só quer que o amiguinho não ganhe uma também? Sociedade birrenta é sociedade que não evolui, simplesmente porque não consegue pensar coletivamente.

“Se ele pode ter orgulho de ser negro eu posso ter orgulho de ser branco”. Não, não pode. Você não precisa querer ser negro, você não precisa detestar ser branco, você só precisa parar de fazer birra.

“Mamãe, mamãe, mamãe, também quero ter orgulho”. Pois é criança, mas o seu coleguinha tem que resistir a uma porção de preconceitos plantadíssimos na sociedade todo dia, preconceitos diretamente ligados a cor dele e que afetam todas as esferas da sua vida, da autoestima baixa até correr maior risco de ter uma morte violenta. O orgulho negro faz sentido porque numa sociedade que historicamente (e ainda hoje) o coloca como inferior, se orgulhar da própria cor é um ato de resistência. Não precisa ter vergonha de ser branco. Mas eu consideraria ter vergonha de sair por aí dizendo que tem orgulho de ser branco.

Isso vale pro orgulho hétero também, e pra qualquer outro orgulho dominante. Pode ter orgulho sim, mas vai ter orgulho de outra coisa. De alguma coisa boa que você realmente fez, ligada a alguma dificuldade real que você tinha e superou, e para de fazer birra.

S/C

segunda-feira, 28 de julho de 2014

É isso aí...


Fonte: Catraca Livre

Para bom entendedor...



Dê-me um cigarro
Diz a gramática
Do professor e do aluno
E do mulato sabido
Mas o bom negro e o bom branco
Da Nação Brasileira
Dizem todos os dias
Deixa disso camarada
Me dá um cigarro.

Oswald de Andrade

Não vejo qualquer movimentação em relação ao centenário do poeta Augusto dos Anjos. Não é possível, é de causar indignação. Certamente outros surgirão a dizer: E quem é esse Augusto dos Anjos?

A poesia de tudo 
quanto é morto

No centenário do poeta Augusto dos Anjos, um convite aos versos que ecoam a tragicidade irônica da condição humana

Por Leda Cartum - Carta Escola

A poesia de tudo 
quanto é morto

Eu sou aquele que ficou sozinho/Cantando sobre os ossos do caminho/A poesia de tudo quanto é morto!” Assim se define Augusto dos Anjos em O Poeta do Hediondo. A palavra “hediondo”, que dá título ao soneto, significa aquilo ou aquele que nos causa horror, espanto, indignação. E é justamente dessa forma que o poeta Augusto dos Anjos (1884-1914), cujo centenário de morte é comemorado neste ano,  ficou conhecido na história da poesia brasileira: aquele dos versos repletos de vermes, de morte e de decomposição. Versos de um solitário autor de apenas um livro, Eu (1912), que só pôde ser publicado porque contou com a ajuda financeira do irmão e que mal foi notado pelos críticos da época, parado nas livrarias e rapidamente esquecido por quase todos.

Somente dois anos depois da publicação desse primeiro e único livro, em 1914, o poeta morreu de pneumonia, muito precocemente, com não mais do que 30 anos. Morreu antes de conhecer o sucesso que faria no futuro: poucos o valorizavam e sua morte quase não teve repercussão na imprensa. Francisco de Assis Barbosa conta que poucos dias depois do falecimento de Augusto dos Anjos, na cidade de Leopoldina, em Minas Gerais, seus grandes amigos Orris Soares e Heitor Lima andavam pelo Rio de Janeiro e se detiveram na frente da Casa Lopes Fernandes, onde estava o grande poeta parnasiano Olavo Bilac, conhecido já na época como o Príncipe dos Poetas. Ao ser informado sobre a morte recente, ele perguntou: “E quem é esse Augusto dos Anjos? Grande poeta? Não o conheço. Nunca ouvi falar seu nome. Sabem alguma coisa dele?” Heitor Lima disse, de cor, o soneto Versos a um Coveiro. Bilac, em silêncio, ouviu até o fim e, depois, deu um sorriso de desprezo e disse: “Era esse o poeta? Ah, então fez bem em morrer. Não se perdeu grande coisa”.

De fato, do ponto de vista dos eruditos da época, que tratavam a obra de arte como “o sorriso da sociedade”, um objeto belo e simétrico, a poesia de Augusto dos Anjos não era bem-vinda. Em contraste com o otimismo dessa belle époque brasileira, seus versos eram cheios de “esterco” e de “escarro” e o poeta não hesitava em dizer coisas como “Mostro meu nojo à Natureza Humana/A podridão me serve de Evangelho…” Até mesmo a concepção de arte de Augusto distanciava-se, em muito, daquela dos parnasianos: se para esses a Arte era considerada, sobretudo, como o elogio a um objeto imaculado e de formas perfeitas, nos poemas de Augusto dos Anjos, ao contrário, o que é chamado de Arte é “a mais alta expressão da dor estética” – e somente ela é capaz de esculpir “a humana mágoa” (trechos de o Monólogo de Uma Sombra). É como se Augusto tivesse, com sua linguagem e conteúdo tão fortes, descido do Monte Parnaso dos artistas para ir de encontro às camadas inferiores da humanidade, nas quais o que se vê não é tão limpo e brilhante como são as estrelas evocadas por Olavo Bilac.

Uma linguagem baixa, com que a poesia não estava acostumada, começou a se revelar em Augusto dos Anjos. Palavras sujas convivem com um vocabulário científico, criando uma abordagem do mundo muito própria, em que se misturam aspectos de um realismo cortante, de raízes de um simbolismo e, até, de certa modernidade que só se manifestaria com força alguns anos depois na história da poesia brasileira. Foi ao aproximar a linguagem poética da realidade cotidiana, das experiências vividas, que Augusto trouxe uma renovação para a lírica e se tornou, mais tarde, uma das principais influências do Modernismo brasileiro – que valoriza, justamente, esses aspectos do dia a dia, da fala comum, para construir a partir deles um universo poético. É por isso que Ferreira Gullar, por exemplo, considera Augusto dos Anjos “um dos nossos primeiros poetas modernos”: uma série de elementos que serão recuperados e intensificados a partir dos anos 1920 e 1930 já estão nos poemas de Augusto, que só foi reconhecido vários anos depois de sua morte.

Se, em 1912, a primeira edição do seu livro, de apenas mil exemplares, quase não surtiu efeito no público e permaneceu encalhada, a passagem dos anos ajudou a fazer com que o livro e seu autor crescessem e ganhassem espaço. A obra foi relançada em 1920 sob o título de Eu e Outras Poesias, acrescida postumamente por outros poemas reunidos, e organizada pelo amigo Orris Soares, que também escreveu o prefácio do volume. Ainda assim, a maior parte da crítica não considerou o livro, e poucas vozes o reconheceram como grande poeta. José Oiticica, filólogo e poeta, foi um dos únicos dessa época a voltar os olhos para Augusto dos Anjos, afirmando que, no futuro, ele seria, sem dúvida, “o mais assinalado poeta brasileiro de seu tempo”. Mas foi somente em 1928, quando a Livraria Castilho publicou a terceira edição do livro, que a recepção do poeta deu a virada decisiva: 3 mil exemplares esgotaram-se em 15 dias, e duas reedições foram feitas ainda em 1928-1929. A partir daí, não parou mais: contam-se pelo menos 50 edições diferentes do livro até hoje e, cem anos depois de sua morte, ele continua a ser lido e estudado pelos mais diversos públicos.

Voz política

“São versos que ficaram nos ouvidos de gerações de adolescentes, pois de adolescentes conservam um quê de pedantismo dos autodidatas verdes, em geral acerbos e solitários”, diz, a respeito do poeta, Alfredo Bosi, em História Concisa da Literatura Brasileira. Realmente, a tragicidade irônica que atravessa os temas de Augusto dos Anjos marca essa fase da vida em que tudo carrega mais gravidade e, por isso, não é raro que seus poemas sejam muito lidos por adolescentes, que fazem destes versos uma espécie de manifesto: Apedreja essa mão vil que te afaga,/Escarra nessa boca que te beija! Ou, então: Escarrar de um abismo noutro abismo,/ Mandando ao Céu o fumo de um cigarro,/Há mais filosofia neste escarro/Do que em toda a moral do cristianismo!

Mas basta mergulhar um pouco mais a fundo no universo de Augusto dos Anjos para compreender que essas palavras muito ultrapassam o estereótipo no qual poderiam ser enquadradas em um primeiro momento. Não é ódio gratuito ou ironia vazia que fundamentam esses versos: pelo contrário, cada poema é profundamente político, e muitos deles fazem críticas severas ao País e à exploração dos homens pelos homens. Enquanto a maioria dos artistas se contentava em elogiar e exaltar a fauna e a flora brasileiras, Augusto afastava-se das imagens da natureza tropical, inspirado antes pelas cinzas e pelos abutres que também participam do cenário do Brasil: uma das únicas ocorrências do vocábulo “pátria” em seus versos é no título do poema O Lázaro da Pátria, que trabalha justamente com a vitimização e o sofrimento de um índio. Também no longo poema Os Doentes, o que se lê em certa passagem é a terrível imagem de um índio morto em meio à floresta, cujo ruído é a vibração “mais recôndita da alma brasileira”: Aturdia-me a tétrica miragem/De que, naquele instante, no Amazonas,/Fedia, entregue a vísceras glutonas,/A carcaça esquecida de um selvagem.

O quadro político da época era bastante complicado: entre uma burguesia ascendente, a imigração decorrente do desenvolvimento industrial, grandes revoltas e greves de operários, era como se o País estivesse em confronto consigo mesmo. As forças agrárias e tradicionais, maiores detentoras do poder, entravam em conflito com a industrialização e a urbanização que pediam por mudanças e pela modernização do Brasil. 

Também o cenário internacional mostrava-se cada vez mais preocupante, com as batalhas que preparavam aquilo que viria a ser Primeira Guerra Mundial – que teve início três meses antes da morte de Augusto dos Anjos. 

Assim, é compreensível que o poeta abra espaço para a expressão de seu estranhamento e indignação, fazendo deles matéria-prima para os versos: A passagem dos séculos me assombra./Para onde irá correndo minha sombra/Nesse cavalo de eletricidade?! Foi a partir dessas incertezas que nasciam com o novo século que Augusto compôs seus poemas, repletos de cores escuras, da morte iminente e de desintegração.

Singularíssima pessoa

Conta-se que Augusto dos Anjos era franzino e recurvo, tinha um bigode mínimo e um andar inseguro, como se estivesse sempre na ponta dos pés. Passava tardes andando pela sala e falando sozinho, gesticulando – comportamento que, para quem visse de fora, poderia ser considerado o de um louco. Na verdade, como conta Orris Soares, era esse o seu processo de criação: “Toda arquitetura e pintura dos versos, ele as fazia mentalmente, só as transferindo ao papel quando estavam integrais”.

Nascido em Engenho de Pau d’Arco, na Paraíba, em 1884, dentro de uma família de proprietários de engenho, Augusto dos Anjos era descendente de senhores rurais e latifundiários. Foi seu pai, homem de ideais abolicionistas, que educou o poeta na primeira infância – e dizem que ele começou a escrever versos já com 7 anos de idade.

Depois de se formar advogado na Faculdade de Direito do Recife, Augusto casou e tornou-se professor de escola: deu aulas no Liceu Paraibano, onde havia estudado, e depois no Rio de Janeiro e em Minas Gerais. Foi uma vida simples, sem grandes reviravoltas, e com poucos fatos a serem contados.
Algumas imagens de sua infância e da terra onde cresceu, no entanto, são retomadas nos poemas, com certa reminiscência, como se caracterizassem uma inocência perdida com a vida adulta. 

O pé de tamarindo, árvore que ainda hoje continua a existir no Memorial Augusto dos Anjos, é personagem recorrente – tanto que é à sombra dele que Augusto deseja ficar depois de sua morte, como anuncia no soneto Debaixo do Tamarindo. Chamada de “Tamarindo de minha desventura”, a árvore parece representar uma natureza diferente daquela exaltada pelos parnasianos: mais íntima e melancólica, ela permanece como imagem visceral de uma realidade que não foi afetada pela crueldade humana e que pode ser a alternativa para uma harmonia que não existe entre os homens.

De onde ela vem?! De que matéria bruta/Vem essa luz que sobre as nebulosas/Cai de incógnitas criptas misteriosas/Como as estalactites duma gruta?!, pergunta-se Augusto dos Anjos no poema O Deus-Verme. Essa luz evocada, desconhecida e sombria, que vem de algum lugar não revelado, das “desintegrações maravilhosas”, é aquela que mostra, de viés, as diferentes faces de um poeta complexo que foge aos enquadramentos e às classificações.

Também nós nos perguntamos de onde surgiu essa singularíssima pessoa que estava à frente de seu tempo, e já antecipava os temas e imagens que viriam mais tarde. Quando Carlos Drummond de Andrade, em 1930, compôs os versos que viriam a se tornar o refrão da poesia brasileira: “Quando nasci, um anjo torto/Desses que vivem na sombra/Disse: Vai, Carlos! Ser gauche na vida”, talvez houvesse ali algo da voz de um poeta também solitário e angustiado que, 17 anos antes, havia escrito Ah! Um urubu pousou na minha sorte!