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sexta-feira, 5 de fevereiro de 2016

pode acabar tudo enfim, mas deixem o frevo pra mim!


o assunto é sério, gente. mas brasileiro gosta mesmo é da folia.

Fiocruz detecta zika em saliva e urina e alerta para infecção.






e a gente só observando o movimento dos barcos.


"eu tenho medo e medo está por fora/ o medo anda por dentro do teu coração/ eu tenho medo de que chegue a hora/ em que eu precise entrar no avião."


Fernando Bonassi, "Prova contrária".

Fonte: Desculpe a Poeira

o passaralho.

Hoje é o nono dia da nova etapa do cerco a Lula. É a sétima vez, neste curto espaço de tempo, que o nome do ex-presidente está num título na capa da Folha de S. Paulo, associado a algum escândalo. É a quarta manchete principal que o acusa de corrupção.


Luis Felipe Miguel



Os casos do sítio de Atibaia e do apartamento de Guarujá se sustentavam sobretudo no preconceito que faz com que qualquer conforto seja visto como abusivo, quando beneficia alguém de origem operária. Comprovadas, as denúncias mostrariam sobretudo uma camaradagem com empreiteiras, o que pode ser lamentável para alguém que se dizia representante dos trabalhadores, mas não é surpresa, nem chega a constituir ilícito. Agora, a Folha investe na suposta venda de medidas provisórias.

Mas o caso é mais frágil ainda; a manchete é derivada do documento de um delegado da Polícia Federal que diz querer saber se Lula e integrantes do seu governo seriam cúmplices ou vítimas do "suposto esquema" de compra de medidas provisórios. Por que há a suspeita de que sejam cúmplices? Ora, porque é o Lula.

Questionado por suas escolhas editoriais, o jornal certamente há de argumentar que um ex-presidente, possível candidato nas próximas eleições, além de líder carismático e lenda em vida, sempre é notícia. Mas será que o candidato derrotado por margem estreita na eleição passada, líder da oposição em ascensão e também candidato às próximas eleições presidenciais, não é igualmente notícia? As denúncias contra Aécio precisam ser investigadas antes de serem aceitas como verdadeiras, como qualquer denúncia. Mas são muito mais diretas do que aquelas contra Lula, culminando na mais recente, sobre o terço da propina de Furnas. Por pouco mais do que isso, pessoas já estão em prisão provisória. No entanto, nenhuma delas gerou uma manchete da Folha de S. Paulo. E, tipicamente, o noticiário desaparece depois de dois ou três dias.

Unindo uma parte expressiva do aparelho repressor do Estado e a grande mídia de forma quase unânime, o cerco a Lula é um dos episódios mais deprimentes da história política brasileira recente. Ninguém deve desfrutar de imunidade e ocupantes e ex-ocupantes de cargos públicos têm um dever especial de prestar contas à sociedade. Mas abrir uma temporada de caça contra alguém, buscando desesperadamente alguma desculpa para alvejá-lo, não é ético, nem republicano.

Fico pensando no repórter que assina a matéria de hoje da Folha, um tal Gabriel Mascarenhas, de quem nunca tinha ouvido falar. Uma rápida consulta no Google me faz saber que antes de ir para o diário paulistano ele estava na Veja. Imagino que um dia ele resolveu ser jornalista inspirado - como todos os aspirantes a repórter - no ideal romântico da profissão: enfrentar os poderosos, dissipar as sombras, jogar luz sobre a verdade. E se defrontou com a dura realidade das redações brasileiras, em que se valoriza sobretudo a espinha dorsal flexível, em que o dia a dia é uma batalha permanente contra o próprio sentido moral e em que se sabe que mesmo a sujeição mais abjeta não garante a ninguém estar a salvo do próximo passaralho.

gente fina é coisa que enoja.


atenção, meninas.


a capa da nossa Gazeta.


publicado no jornal Gazeta do Alto Piranhas

Os frutos de Zilmar


José Antonio Albuquerque



No cenário seco e árido do sertão de Cajazeiras, entre cactos, juremas e xique-xiques nascia, em 30 de abril de 1937, Maria Pereira, conhecida por Dona Zilmar. Sem dúvida mais uma das fortes Mulheres do Oeste, uma heroína anônima que consagrou a sua vida à família, com obstinação e sacrifícios, que não foram em vão, e as suas forças e energias destinavam-se, em especial, aos filhos.

No Sítio Xique-xique nascia, num ano bom de inverno, uma baraúna, que ao longo do tempo serviu de sombra e abrigo para seus oito filhos, postos para o mundo a partir de seu casamento, em 1956, com Geraldo Joel de Araújo, um cearense que ganhou a apelido de Geraldo Piauí.

Na quietude mística dos crepúsculos contemplava para seus filhos novos horizontes. Horizontes diferentes daqueles vividos sob o sol inclemente do sertão e dos caminhos e das terras para aonde jogava a semente e sugava os alimentos para mesa da família.

Do seu coração a esperança nunca desertou e com o passar do tempo, tendo a noção de que a descoberta dos valores essenciais da vida só era possível através da educação, que seria o patrimônio e a herança que poderia deixar para os filhos, não esmoreceu em momento algum de lutar para que isto acontecesse. Por isto envolveu toda a sua vida nesta caminhada, tendo entre as mãos o terço para orar, a voz para o combate dos contrários e o corpo como escudo para as intempéries. 

Nu lugar de uma enxada de três libras pôs nas mãos dos filhos uma caneta; no lugar do lençol para apanhar algodão uma folha de papel; no lugar da foice e da “chibanca” que derruba o mato e arranca o toco a carta de abc e a tabuada. 

Zilmar sempre acreditou na inteligência de seus filhos, era preciso se libertar da idéia de que os braços da prole se faziam necessários para o aumento da produção e encher os quartos e salas da casa de legumes. O que ela queria na realidade era povoar a mente de seus filhos de conhecimentos e saberes.

Fazia-se necessário quebrar esta tradição e impôs ao “pater família” o seu querer e o foi de uma forma tão forte e determinante que veio a prevalecer sobre seus filhos não o nome de família da origem paterna, mas sim o dela: Pereira. Ninguém conhece Josival Araújo, Adjamilton Araújo, Lindismar Araújo, Airton Araújo, Ocidália Araújo, Adailton Araújo ou Jarismar Araújo, mas sim pelo sobrenome de sua mãe: Pereira. 

Tive a grata satisfação de ter como companheiro de luta, quando da fundação do jornal Gazeta do Alto Piranhas, o jornalista Josival Pereira, fato há 18 anos considerado como “uma loucura” e ele como primeiro editor jogou luzes e brilho na imprensa escrita de Cajazeiras e o que escrevia repercutia estado afora. Foi através de Josival que fiquei conhecendo a grande e valorosa Zilmar.

A casa de Dona Zilmar era o refúgio predileto de Josival e não conto as vezes que lá o encontrei e me dizia que ia se aconselhar, beber sua sopa (existe coisa melhor no mundo que a sopa da casa de nossa mãe), para pedir a benção e sempre que falava em sua mãe seus olhos brilhavam. Lembro que quando Josival tomou a sábia decisão de migrar, de voar mais alto estive com ela e comentei com tristeza a ida dele para João Pessoa e me respondeu: criamos os filhos para o mundo. Com certeza, naquela ocasião, ela deve ter concluído que a ida dele para a capital do estado estava sendo muito mais fácil do que sua vinda do Xique-xique para Cajazeiras.

Dona Zilmar lembra muito a minha mãe que também, com sua coragem e visão, bem antes do que fez ela, colocou os filhos debaixo das asas e trouxe todos para estudar em Cajazeiras. Minha mãe a exemplo da mãe dos Pereiras tinha dois fundamentos essencialmente cristãos, que nortearam as suas vidas: um terço nas mãos para rezar pelos filhos e uma mesa para agregá-los e talvez, Dona Zilmar costumava dizer como minha mãe na hora da partilha: “desde que filhos tive, nunca mais barriga enchi”. Eu costumo dizer que a família que reza e come na mesma mesa sempre permanecerá unida. 

Assim como minha mãe continua me fazendo uma enorme falta, Josival na sua fala, ao se despedir de sua mãe, já reclamava da falta que ela ia fazer na sua vida e de seus irmãos, e foi muito feliz em dizer do legado que deixou para a família: a educação. 

O Xique-xique ficou bem mais pobre com a ida de Dona Zilmar para as alamedas da saudade, mas deixa de presente para Cajazeiras frutos de excelentes qualidades.

não quero.

Eu não quero

Tati Bernardes - FSP



Na infância, ouviu na aula de religião, e depois também durante o jantar, que nada era mais importante que a família. Oitenta pessoas, umas falando mal das outras, trancafiadas numa sala com motivos natalinos, lhe pareciam a visão do inferno. Mas ela devia estar errada. Se os primos corriam felizes. Ela forçava. E ia. Depois tinha febre e desarranjos e tremedeira. Uma hora isso acabaria passando.
Durante toda uma adolescência, se obrigou a fazer aquelas viagens "15 amigos, um banheiro". Era tão sofrido, tão sofrido, que tinha febres de 40 graus, amigdalites tenebrosas, rinites de arrancar todo o sistema respiratório com uma só coçada na cara. Mas se estavam todos querendo e indo. Uma hora ela acabaria gostando.
Na época da faculdade, se forçava a ir aos jogos universitários, quase sempre em alguma cidade do interior sem nenhuma infraestrutura pra receber milhares de estudantes de todos os cantos do país. Se pegava pensando "será que o hospital daqui é bom?". Mas disseram que isso não era pensamento de jovem, e ela então se forçava a não pensar o que já pensava. Se obrigava a vestir camisetas e torcer apesar de estar verdadeiramente se lixando para esportes e para todas aquelas pessoas. Beijava nas festas que todo o mundo beijava sempre desejando virar logo avó pra poder só ver televisão trancada em casa sem ninguém encher o saco: "Nossa, você parece uma velha!". Queria logo ser velha para finalmente deixar de parecer uma.

Baratas e frituras, lamas e coceiras, cachorros-quentes que, em sua fantasia, conversavam com ela (a salsinha a língua, os pães a boca): intoxicação hemorrágica por cinco reais! Tudo fedendo a cigarro de cravo, a golfo alcoólico, a ralos sobrecarregados. Como era insuportável ser jovem e conviver com jovens e, sobretudo, viajar com jovens. Os piores restaurantes, os piores quartos, as alegrias histéricas dos humanos menos elevados, os carros que sempre quebravam na estrada. Ela olhava ao seu redor e todos felizes. Ela só podia estar maluca ou desacostumada ou doente pra achar tudo detestável. Uma hora acabaria, por osmose, ficando "de boa". Uma hora pularia e gritaria como as pessoas no BBB. Então seguia forçando.

Um pouco mais velha e com um pouco mais de dinheiro, não foram poucos os Réveillons e Carnavais em festas badaladas no Nordeste e no Rio de Janeiro. Ela torcendo pra ter uma invasão extraterrestre que devastasse todos os caminhos que levam até Congonhas e Guarulhos e a todas as saídas da cidade. São Paulo sitiada. Não, ela não era estranha, com dificuldade extrema em gostar dessas coisas insuportáveis e idiotas que todo mundo gosta e faz em bando. Normalzona, queria super ter ido, mas olha que chata essa invasão extraterrestre.


As pessoas se exibiam no trabalho, como se falar "paguei Trancoso" fosse o mesmo que "ganhei um Nobel". Em silêncio, torcia pra que a chamassem pra fazer plantão no final do ano. Me encham de trabalho, pelo amor de Deus. As pessoas casavam, faziam chá de bebê, ela torcia para que a enchessem de trabalho. E enchiam. Até que um dia experimentou a sensação mais libertadora da vida. Primeiro saiu baixinho, fanho, rouco... "Não quero". Não entenderam direito, perguntaram, fale mais alto. EU NÃO QUERO. E então, como um vômito contido por mais de 30 anos, aquela verdade jorrou azeda e ácida e veloz e muita. EU NÃO QUERO!!! Seja lá o que for que todos vocês querem, eu não quero. Eu apenas não quero.

de terço em terço...


ainda assim, penso que a proibição constitui um erro.

Livro proibido 

helio schwartsman - FSP




Apesar de minha ascendência judaica e de ter perdido vários parentes para os campos de concentração, penso que é um erro proibir, como fez liminarmente o Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro (TJ-RJ), a venda de "Mein Kampf" (minha luta), o manifesto nazista que Adolf Hitler escreveu em 1925 e 1926 e que entrou em domínio público no início deste ano.
Em primeiro lugar, o livro é um documento histórico –e nenhum Estado democrático tem o direito de censurar a história. Proscrever o texto, como a Justiça brasileira ameaça fazer, seria o equivalente literário de fechar à visitação o que restou dos campos de concentração na Europa. É importante não só que eles sejam conservados como também que sejam visitados por muitos, para que os horrores do Holocausto não se apaguem da memória coletiva.

A própria comunidade judaica se divide bastante quanto ao tema, mas o livro não é vetado nem em Israel nem na Alemanha.

Em segundo lugar, a obra depõe contra si mesma. "Mein Kampf" não passa de um amontoado de clichês antissemitas e anticomunistas que circulavam à época, expressos de forma verborrágica, repetitiva, raivosa e com fortes traços de paranoia. O estilo também é péssimo. O livro é tão obviamente errado que, ao menos no campo daqueles que estão dispostos a um debate público qualificado, sua leitura só enfatiza quão absurdo foi o fenômeno do nazismo.

Existem, é verdade, os grupos neonazistas e seus simpatizantes, para os quais novas edições da obra poderiam funcionar como incentivo. Ainda assim, penso que a proibição constitui um erro. Essa turma já tem à disposição na internet e de graça não apenas o panfleto hitlerista como material ainda pior. Não há como impedi-los de flertar com ideias estúpidas. O que o Estado democrático precisa fazer é assegurar, por meio da força se necessário, que não as colocarão em prática –e isso basta. 

quinta-feira, 4 de fevereiro de 2016

saiba mais...


A data foi instituída em 2005 pela União Internacional para o Controle do Câncer (UICC) e tem como principal objetivo fazer com que o maior número de pessoas fale sobre a doença.

Saiba mais: http://www.inca.gov.br/wcm/dmdc/2016/

"a nossa pátria está onde somos amados."


Central do Brasil



bora vê, gente. meu sertão querido repleto de talentos. nós podemos tudo, basta querer.

Filme amador produzido no sertão cearense faz sucesso no Youtube

Por Ana Beatriz Leite - Tribuna do Ceará




Amor & Traição nas Quebradas do Sertão soma mais de 62 mil visualizações no Youtube, mais do que o dobro da população de Aurora


Amor & Traição nas Quebradas do Sertão é um longa-metragem produzido por um grupo de jovens atores de Aurora que decidiram se arriscar no cinema. Além do lançamento na cidade, para a população local, o filme foi lançado também no Youtube a fim de ganhar maior visibilidade.

A repercussão, porém, foi muito além do esperado pelos jovens. A notícia do lançamento se espalhou, cópias começaram a circular nas cidades vizinhas e o filme recebeu mais de 62 mil visualizações, somente no Youtube.

Para se ter uma ideia, o número corresponde a mais do que o dobro da população total do município de Aurora, com 25 mil habitantes, e distante 482 quilômetros de Fortaleza.

“A gente fez meio que numa brincadeira. É uma turma que já está acostumada a fazer teatro, aqui em Aurora as pessoas conhecem a gente de outros carnavais já, e a gente pensou em fazer algo diferente, fazer um filme. A gente pegou umas câmeras digitais e fez, ninguém esperava essa repercussão toda”, conta Erivan do Lavor, o diretor geral da produção e também autor da história.

O filme é a adaptação de uma peça do grupo que, por sua vez, se inspira no Auto da Compadecida, de Ariano Suassuna. A trama, que se passa na cidade fictícia de São Bento, é encenada por artistas de vários grupos de teatro de Aurora, além de membros da comunidade, e, como entrega o título, é recheada de causos de amor e traição. Toda a confusão é ocasionada pela chegada de um circo à cidade, quando a filha do prefeito, prometida em casamento à um rapaz rico, se apaixona por um palhaço.

“Nós fizemos tudo, a gente filmava, atuava, dirigia, e quando um não estava atuando, estava gravando e assim vai”, explica Erivan. As gravações foram feitas entre o distrito de Tibi e o Circo Kelvin Show, em Aurora, sem apoio ou recursos financeiros de fora. “Acho até que foi um milagre só com câmera digital a gente produzir aquilo tudo. Claro que teve partes em que o áudio ficou meio ruim, que as imagens do filme ficaram meio turvas, mas se a gente tivesse o subsídio, talvez tivéssemos feito algo melhor”.

Lamarck Dias, o responsável pela edição técnica e ator no papel do palhaço que rouba o coração da filha do prefeito, foi quem deu a ideia de disponibilizar a produção no Youtube. “Está bem visualizado mesmo, a gente não imaginava. Acho que está muito na moda esses filmes amadores, o pessoal parece que está gostando desse estilo de filme”.

O grupo planeja gravar um novo filme neste ano, aprendendo com os erros e acertos da primeira produção e, desta vez, com uma melhor qualidade técnica. 

é preciso apurar o que falta, o que sobrou não rende pauta.

Como todo delator envolvido na roubalheira, esse Fernando Moura é obviamente um pilantra, Também como todo criminoso interessado em negociar sua pena em troco de informações, tudo que ele diz pode ser mentira. 


Hoje ele afirmou que a propina em Furnas era tucana. Segundo o bandido, 33% iam para Aécio, 33% para "a nacional" e 33% para "SP". Um cínico perguntaria: para quem foi o 1% que falta?

Carlos Eduardo Alves

que falha.



aqui se faz, aqui se caga.
quando as indústrias de produtos de higiene pessoal da venezuela começaram a esconder os estoques, para atiçar a população contra o governo, a folha publicava matérias irônicas sobre a falta de papel higiênico no país.


pois agora a folha, para se submeter ao regime de austeridade, cortou o cafezinho da redação e reduziu o fornecimento de papel higiênico da redação em 50%.
aqui se faz, aqui se paga.

Fernando Morais

"quem é essa mulher, que canta sempre esse estribilho?"


comeram...


João Cabral de Melo Neto, "Poemas pernambucanos".

Fonte: Desculpa a Poeira.

dirão: "há, mas existia nobreza no gesto do FHC." sinceramente...

Pau que bate em Luiz bate em Fernando? 

Guilherme Boulos  - FSp



No apagar das luzes de seu mandato, o ex-presidente promoveu um jantar no Palácio do Planalto para a nata do PIB nacional - Odebrecht, Gerdau, Lázaro Brandão, entre outros - com direito a vinho francês e refinado menu. Mas o prato principal era obter dinheiro para o financiamento de seu instituto após sair da Presidência. Conseguiu naquela noite a bagatela de R$ 7 milhões.

O filho do ex-presidente teve as contas de um hotel de luxo em Ipanema, onde morou por certo período, pagas por um grupo empresarial do setor têxtil. Andava pra lá e pra cá de BMW e tinha um jatinho permanentemente à sua disposição. Isso tudo com o pai ainda na Presidência da República.

O ex-presidente e seu partido foram acusados por certo senhor, que foi seu Ministro de Estado e figura ativa na campanha eleitoral, de terem apropriado nada menos que R$ 130 milhões de sobras de campanha em sua primeira eleição, sendo R$ 100 milhões de caixa dois. Disse ainda que o recurso foi provavelmente enviado ao exterior.

O nome deste ex-presidente é Fernando Henrique Cardoso. O filho pródigo é Paulo Henrique Cardoso. E o acusador dos desvios na campanha de 1994 é José Eduardo de Andrade Vieira, banqueiro que foi ministro da Agricultura de FHC.

Nenhum desses fatos é novidade. Mas não renderam dez minutos no "Jornal Nacional" por dias a fio nem repetidas manchetes da Folha. Não fizeram também com que FHC e seu filho fossem intimados a depor pelo Ministério Público.

Se fosse o Lula...



Aliás, o mesmo Ministério Público de São Paulo que intimou Lula e sua esposa não denunciou nenhum agente político no escândalo do "trensalão" tucano e arquivou o caso das irregularidades no monotrilho, que apareciam numa planilha apreendida com Alberto Youssef.

Seguindo a toada, o Ministério Público de Minas Gerais também pediu o arquivamento do caso do aeroporto de Claudio. O então governador Aécio Neves (PSDB) desapropriou a fazenda de seu tio para construir um aeroporto, cuja chave (do aeroporto "público") ficava em poder de sua família. O MP mineiro não viu motivo algum para intimar Aécio ou oferecer denúncia.

FHC é tratado pela mídia como grande estadista e nunca foi incomodado pelo MP ou pela Polícia Federal. Em seu governo, aliás, ambos eram controlados na rédea curta. Suas transações com o pecuarista e empresário Jovelino Mineiro, seja na controversa fazenda de Buritis (MG), seja na hospedagem frequente em apartamento na capital francesa, nunca geraram grande alarde. Atibaia desperta mais interesse que Paris.

Aécio, por seu lado, desfila em Brasília como defensor da moralidade. Tal como FHC é aplaudido em restaurantes e não tem porque se preocupar com investigações. Seu nome apareceu em mais de uma delação da Lava Jato, mas não cola.

Em relação a Lula, a disposição é outra. Uma canoa vira iate. E o depoimento de um zelador é tratado como condenação transitada em julgado.

É verdade que Lula e o PT pagam o preço de suas escolhas. Não enfrentaram em seu governo a estrutura arcaica do sistema político brasileiro, onde interesses públicos e privados sempre conviveram promiscuamente. Mantiveram intocado o monopólio midiático empresarial, que hoje os dilacera. E optaram por uma aliança com a elite econômica, pensando talvez que seriam tratados como os "de casa". Chocaram o ovo da serpente.

Mas criticar suas escolhas estratégicas - como é o caso aqui - não significa legitimar um linchamento covarde e com indisfarçado interesse político. Se há acusações em relação a favorecimentos da OAS ou da Odebrecht, que Lula seja investigado. Como Fernando Henrique nunca foi e os grão-tucanos não costumam ser.

Contudo, investigação - e jornalismo investigativo - não podem carregar as marcas das cartas marcadas e da seletividade. Definir que Lula é o alvo e, depois, fazer uma devassa pelo país em busca de um argumento factível é transformar investigação em achincalhamento e argumento em pretexto.

Como gosta de dizer um famoso morador de Higienópolis: "assim não pode, assim não dá". 

cadê o 'gagau' dos meninos? coisa mais feia. essa gente, sei não...

A merenda, de novo 

editorial folha



Em uma repetição nada farsesca da história, o fornecimento de alimentos para escolas do Estado de São Paulo se vê mais uma vez envolto em suspeitas de corrupção.

Sete anos após se tornar conhecida a chamada máfia da merenda, a Polícia Civil e o Ministério Público investigam um novo esquema de pagamento de propina no setor. Como em tantos outros escândalos, agentes públicos receberiam dinheiro para garantir negócios com o Estado –no mais das vezes, contratos superfaturados.

Deflagrada no dia 19 de janeiro, a Operação Alba Branca prendeu seis dirigentes da Cooperativa Orgânica Agrícola Familiar (Coaf), na cidade de Bebedouro (perto de Ribeirão Preto). Em depoimento, os funcionários afirmaram que o esquema envolvia 22 cidades e a Secretaria da Educação do Estado.

De acordo com eles, beneficiaram-se das fraudes os deputados federais Baleia Rossi (PMDB) e Nelson Marquezelli (PTB) e os deputados estaduais Luiz Carlos Gondim (Solidariedade) e Fernando Capez (PSDB), presidente da Assembleia Legislativa de São Paulo.

As investigações também atingem figuras do governo Geraldo Alckmin (PSDB). Foram citados Duarte Nogueira, secretário de Transportes e ex-líder do PSDB na Câmara dos Deputados, Fernando Padula e Luiz Roberto dos Santos, até dias atrás chefes de gabinete da Educação e da Casa Civil, respectivamente (ambos já exonerados).

Os personagens refutam participação no caso, mas os indícios contra Santos e Padula, por exemplo, não se restringem aos depoimentos. O primeiro foi flagrado em conversas telefônicas comprometedoras, e nelas houve menções explícitas ao nome do segundo.

Um episódio relatado por Cássio Chebabi, ex-presidente da Coaf, reforça as suspeitas. Ele diz que, em 2013, após a cooperativa vencer chamada pública de R$ 8 milhões para fornecer suco de laranja a escolas paulistas, o contrato foi cancelado sem maiores explicações.

Em seguida, um lobista que se apresentava como representante do deputado Fernando Capez teria acenado com a possibilidade de destravar o contrato em troca de propina. Oferta aceita, a Coaf venceu a nova chamada pública realizada meses depois.

A Secretaria da Educação não explica o cancelamento da primeira chamada, o que apenas alimenta a desconfiança em torno do assunto.

As apurações ainda são incipientes, mas não será surpresa se elas revelarem um esquema de desvios para abastecer campanhas eleitorais –e o governador Geraldo Alckmin, que pretende disputar a Presidência em 2018, precisará lidar com um escândalo de corrupção em seu próprio quintal.

quarta-feira, 3 de fevereiro de 2016

é a vida: encolheu, a tampa cai.


eita, danado. frevo bom da molesta! vai incendiar o Carnaval de Cajazeiras. João merece.


Para este carnaval em Cajazeiras, gravada no estudio de Nenem Amaro, "A mulher que vira peixe". Minha homenagem ao amigo cajazeirense, João de Manoelzinho. Tá na voz do também amigo Donato Junior (Jr. Terra), com a participação nos vocais de Waleska Rodriges. Bom carnaval pra todos.

Naldinho Braga

o debate em Cajazeiras seria sobre nomes de ruas, homenageando gente que nunca nem pisou os pés na cidade. vou citar duas, quem quiser que cite mais: Barão do Rio Branco e Siqueira Campos.

Abri outro dia um debate sobre o que fazer com personagens históricas que foram homenageadas mas, hoje, estão em enorme descompasso com os valores humanos atuais. 
Mencionei o caso de Cecil Rhodes (link abaixo, nos comments) e o de uma praça na Luisiana que homenageia um general escravagista. 

Renato Janine Ribeiro




A cisão nas opiniões foi política. A maior parte pensa que essas homenagens devem ser revistas, ou pelo menos que devem receber placas alertando para quem foram. Os amigos mais à direita querem que não mexa nelas. 

Vamos complicar a discussão.

Penso que está errado quem diz que passado é passado, ponto. O passado traz mitos que constroem o futuro. Sem esse imaginário de uma continuidade da nação, ou do que seja, não é fácil conceber o que se vai fazer. Sem os exageros argentinos (em que de Rosas a Perón a via é boa), mas também sem a tola ingenuidade brasileira (o País é sempre um papel em branco, matéria virgem a começar - um começo que nunca acontece - o País que é, e sempre será rsrs, do futuro...). 

Mas eu perguntaria, p ex, a Pedro e a Márcia, que não querem que mexa no passado, se então deveriam ter sido mantidas as dezenas de milhares de estátuas de Lênin nos países ex-comunistas. É exatamente o resultado de seu raciocinio.

E acrescentaria: quando um país, de maneira absolutamente democrática, decide retirar monumentos a assassinos, genocidas, torturadores - como o PSOE fez na Espanha e o Podemos está fazendo em Madri - qual o problema? 

Ou seria melhor que estátuas fossem derrubadas só pela violência, p ex em decorrência de uma guerra externa (as estátuas de Hitler) ou civil?

Finalmente, o governante mais assassino, mais nojento do século XX, somente superado em número de vítimas (matou 10 milhões de congoleses) por Hitler e Stalin, foi o rei Leopoldo II da Bélgica. Estátuas dele ainda existem em seu País. Uma delas ilustra meu post. 

Não deveriam ser derrubadas? E não seria melhor o governo da Belgica derrubá-las do que, um dia, congoleses indignados a explodirem num atentado?

parabéns pela indicação, Lygia!


A escritora Lygia Fagundes Telles é indicada ao Nobel de Literatura - Indicação ocorreu hoje pela União Brasileira de Escritores.Lygia é paulista, tem 92 anos já recebeu os prêmios Camões e Jabuti.
REVISTAPAZES.COM|POR REVISTA PAZES