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sábado, 22 de novembro de 2014

Morreu Seu Lunga: a vida não fazia mais sentido, o mundo havia superado o seu mau humor.

Seu Lunga, o homem mais mal humorado do mundo, morre aos 87 anos


Ele estava internado no hospital São Vicente; pai de 13 filhos e natural de Juazeiro do Norte, era considerado uma lenda

Tribuna do Ceará


Joaquim dos Santos Rodrigues, mais conhecido como Seu Lunga, morreu aos 87 anos, em decorrência de um câncer no esôfago. A morte foi registrada na manhã deste sábado (22), às 9h30. Ele estava internado no hospital São Vicente.  Pai de 13 filhos e natural de Juazeiro do Norte, era considerado uma lenda, tendo inspirado personagem de novela e até se arriscado na poesia.

Dono de uma loja de sucatas, onde era possível encontrar desde pregos a aparelhos eletrônicos e frutas, o que realmente atraía turistas e moradores da região era o temperamento do vendedor. E se fosse comprar algo, nem ousasse questionar “isso é para vender?”, que Seu Lunga já tinha uma patada na ponta da língua. “O único lugar onde se encontra coisa exposta que não é pra vender é no museu”. Caso a indagação fosse, “mas esse aparelho está funcionando?”, era bom se preparar que viria chumbo grosso. “Como é que pode estar funcionando, se não está ligado?”.

As respostas duras deram fama de ignorante ao comerciante. Conhecido pela falta de paciência e resposta na ponta da língua, diziam que ele era um sério candidato a homem mais ignorante do mundo, pelo Guiness Book. Algumas histórias são verídicas, outras talvez sejam apenas piadas ou lendas que faziam alusão à sua grosseria.

Hum...tá servindo de boi de piranha. Uma estagiária conseguir fazer tamanho estrago?! Entrou por uma porta, saiu por outra, quem quiser que conte outra

O material jornalístico produzido pelo Estadão é protegido por lei. Para compartilhar este conteúdo, utilize o link:http://economia.estadao.com.br/noticias/geral,ex-estagiaria-do-inss-e-presa-por-suspeita-de-envolvimento-em-fraude-de-r-20-milhoes,1596180O material jornalístico produzido pelo Estadão é protegido por lei. Para compartilhar este conteúdo, utilize o link:http://economia.estadao.com.br/noticias/geral,ex-estagiaria-do-inss-e-presa-por-suspeita-de-envolvimento-em-fraude-de-r-20-milhoes,1596180

Ex-estagiária do INSS é presa em operação da PF contra fraudes em BH

G1




Uma mulher foi presa durante a Operação Lewinsky, da Polícia Federal, nesta sexta-feira (21), em Belo Horizonte. De acordo com a investigação, que combate a prática de fraudes contra a Previdência Social, a suspeita é uma ex-estagiária do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), que não teve o nome divulgado. Ela é acusada pela polícia de ser estelionatária, aliciar interessados em obter aposentadorias e fornecer documentos de vínculos empregatícios falsos. Na casa dela, onde foi presa, foram apreendidos computadores e mídias digitais. Segundo a polícia, ela negou as acusações.
De acordo com a PF, os prejuízos aos cofres públicos com benefícios previdenciários fraudados podem chegar a R$ 20 milhões. Foram cumpridos dois mandados judiciais de busca e apreensão e um de prisão preventiva nas regiões Oeste e Centro-Sul da capital mineira. O nome da ação policial foi escolhido por causa da coincidência dos cargos entre a então estagiária brasileira e a norte-americana Monica Lewinsky, envolvida em um escândalo na Casa Branca.(...)

Saiu no 'Programa do Ratinho' o resultado do exame de DNA do Brasil.

José Sócrates é investigado por fraude e lavagem de dinheiro. 


O Globo



LISBOA — O ex-primeiro-ministro de Portugal José Sócrates foi preso na sexta-feira à noite por suposto envolvimento em um caso de fraude fiscal, lavagem de dinheiro e corrupção, de acordo com informações da procuradoria-geral. A previsão é que o ex-premier, que foi preso no aeroporto de Lisboa chegando de Paris, seja interrogado neste sábado.(...)

Como é complicado ser botafoguense.

“(Des)prezado Presidente




Hélio de La Peña



Há seis anos você chegou ao Botafogo sem que soubéssemos direito quem era. Sua imagem, a de alguém que não vinha dos meios futebolísticos, era um bom sinal. Um dentista que poderia dar um trato no sorriso alvinegro. Sua primeira gestão foi elogiada por torcedores e pela imprensa esportiva. O Botafogo começou a despontar como um clube sério. E você, um dirigente que estava pondo a casa em ordem.

Veio o segundo mandato. Eleito unanimemente, teve a chance de escrever seu nome nas páginas mais gloriosas. Contratou Seedorf, uma estrela internacional, e elevou assim a auto estima da torcida. Voltávamos a ter um ídolo e a dar inveja aos rivais. Sabíamos que sozinho ele não poderia resolver a parada. Mas tínhamos um bom elenco ao seu redor e os resultados começaram a aparecer. Infelizmente, o sonho durou pouco.

Perdemos o Engenhão, perdemos receita, a coisa desandou. Aos poucos o time começou a ser desmontado. Vitinho foi o caso exemplar. No final do Brasileirão 2013, víamos Jefferson no gol, Seedorf lá na frente e mais nada. De favoritos, passamos a rezar por uma vaga na Libertadores.
Começamos este ano disputando o mais importante torneio da América do Sul, o que não acontecia havia 17 anos. De que maneira? Com um técnico que nunca comandara a equipe principal e um elenco bem abaixo do que tínhamos seis meses antes – Seedorf voltou para a Europa. O resultado não podia ser outro.

Aliás, 2014 é um ano para se esquecer. O pior desempenho num Campeonato Carioca neste milênio. Dívidas não honradas, jogadores medíocres contratados, salários não pagos, derrotas sucessivas. Até que você resolveu dar um basta na indisciplina. Demitiu quatro titulares e assumiu em público a responsabilidade das consequências do ato. Se mereciam, não vem ao caso. O fato é que o momento foi o mais inadequado possível. Já não estávamos bem no campeonato e só pioramos. Na verdade, você deu um basta na nossa esperança.

No instante em que escrevo, acumulamos 9 vitórias em 35 jogos! Para escapar da segunda divisão, precisamos de 3 vitórias em 3 jogos! Haja margem de erro... E isso não basta, dependemos de uma milagrosa combinação de outros resultados. O ideal é trocar a comissão técnica por uma comissão de matemáticos e rezadeiras.

Mas a torcida pode dormir tranquila. Você assume a responsabilidade da queda para a série B. O que significa isso? Se alguém vier nos sacanear, mandamos ligar pra você?

Dia 25 de novembro teremos eleições no clube. No dia seguinte alguém assumirá esta cadeira. E você volta para seu consultório de dentista sem responder por nenhum dos atos irresponsáveis. Ficamos nós, torcedores, arrasados após a passagem de um tsunami. Sem time, sem dinheiro, sem estádio, sem série A. Vai ser duro sair deste buraco.

Mas vamos resistir. Vamos juntar nossos cacos, levantar a cabeça e olhar para o futuro. Brigando para que um dia voltemos a ver lá na frente o Botafogo de craques como Garrincha, Nilton Santos, Jairzinho, Paulo Cezar Caju, entre tantos outros.

E ninguém cala...

A música é uma arte: de ponta a ponta.

Precisamos urgentemente abrir mão do título de 'Paraíba Masculina'. Essa estupidez precisa ter fim.

Após morte de estudante, Guarda Municipal da Capital dará plantão nas escolas

Só 12 colégios da Capital têm rondas de agentes municipais; efetivo será duplicado e ficará fixo


C. da Paraíba

Estudante passou por cirurgia, mas não resistiu aos ferimentos
Estudante passou por cirurgia, mas não resistiu aos ferimentos


A adolescente Maria Beatriz Souza Santana, 14 anos, baleada dentro da escola Violeta Formiga, deu entrada no Hospital de Trauma às 10h07 de ontem, passou por exames e três cirurgias e duas paradas cardíacas. Ela morreu às 15h48. A morte foi confirmada pela Prefeitura da Capital, no final da tarde de ontem. Em nota, a Prefeitura disse que estava dando assistência à família e aos servidores da escola, com psicólogos e assistentes sociais. Após o fato, o secretário municipal de Segurança e Cidadania, Geraldo Amorim, disse que o efetivo da Guarda Municipal (GM) que faz as rondas escolares será duplicado, e os agentes permanecerão nas escolas, a partir do próximo ano.(...)

Mais que merecido!



Durante 60 anos, a idosa trabalhou para um casal de Curitiba, residindo no apartamento da família. Após a morte do casal, continuou a morar no imóvel com a filha solteira, que se tornou inventariante do espólio. Ao tomar conhecimento de que dois outros herdeiros tinham a intenção de despejá-la para vender o apartamento, sem pagar-lhe as verbas trabalhistas, ela ajuizou ação contra o espólio.

Parabéns a todos os músicos do Brasil

Concluímos a leitura do livro e afirmamos com satisfação: "trata-se de uma extraordinária obra literária".



Chico Buarque procura (e encontra) o irmão alemão em novo romance


ANTONIO JIMÉNEZ BARCA - El País


Chico Buarque (Rio de Janeiro, 1944), um dos mais célebres e talvez o mais aclamado de todos os músicos brasileiros, é também poeta, dramaturgo e escritor. Nesta semana publicou seu quinto romance no Brasil. A obra, expressivamente intitulada O Irmão Alemão, conta, em um relato de marcado caráter autobiográfico, a descoberta estupefata de um irmão que nunca conheceu pessoalmente (nem ele, nem ninguém da família, incluído o pai), fruto de uma aventura fugaz que Sérgio Buarque de Hollanda, o ilustre historiador brasileiro, teve em Berlim com Anne Marguerite Ernst em princípios dos anos 30.

Sérgio, o irmão alemão do título, nunca foi, segundo conta o próprio Buarque no livro, um tema tabu no casarão abarrotado de livros da região central de São Paulo onde residiu durante muitos anos a numerosa família Buarque (Chico tem seis irmãos além do alemão), mas tampouco era um assunto do qual se falava muito.


De fato, o cantor soube da existência de seu irmão europeu em 1967, na casa carioca do poeta Manuel Bandeira, em uma tarde de uísque e música na companhia de Vinícius de Morais e Tom Jobim. Bandeira se referiu então ao “filho alemão de seu pai” e Buarque voltou para casa mordido pelo vírus da dúvida. O mesmo vírus perseguiu-o a vida toda. Assim, há alguns anos, esporeado por uma velha carta proveniente da Alemanha encontrada em casa em que se aludia de novo ao irmão, começou a investigar. Não só ele. A editora Companhia das Letras contratou dois historiadores para o ajudarem nesse campo. E encontraram o rastro do irmão perdido: abandonado pela mãe, foi adotado em 1931 pela família Gunter (de fato a correspondência que Chico encontrou na casa de seus pais fazia referência a uma petição do Estado nazista a fim de certificar que o pai não era judeu).

Sérgio Gunter jamais soube bem quem era seu pai biológico, além de guardar certas conjecturas sobre sua origem sul-americana. Com o tempo, tornou-se um conhecido apresentador de programas de entretenimento na televisão da Alemanha Oriental em que também cantava (bem) temas populares germânicos. Não chegou à altura de Chico mas desfrutou de certo êxito com a música na década de setenta: gravou uma dúzia de discos na gravadora estatal VEB. Segundo a Folha de São Paulo, era bonito, bem apessoado, mulherengo e sedutor. Sem saber, coincidia em tudo isso com seu célebre irmão brasileiro, conhecido por seu fulminante êxito entre as mulheres e por possuir os olhos verdes mais vivamente eletrizantes do Brasil. Morreu em 1981, de câncer de pulmão, e no jornal oficial Berliner Zeitung saiu uma nota que dizia: “Foi um jornalista criativo e um amigo sempre pronto para ajudar um camarada”. Seus netos asseguram que teria gostado de saber mais sobre a parte brasileira de seu sangue mas que, naqueles tempos sombrios da Guerra Fria, foi impossível investigar sua origem.

No romance, Buarque fala de seu irmão perdido e encontrado, mas, sobretudo, de si mesmo: de sua adolescência feliz nas ruas de São Paulo, de seu pai sempre grudado em um livro na cadeira de balanço bamboleante, de seus amigos sem juízo de então, com quem roubava carros para, assim que acabasse a gasolina, soltá-los rua abaixo e ver como se espatifavam em um muro ou em outro carro estacionado. Em uma dessas, foi pego pela polícia. Tinha 17 anos. Ainda não sabia que tinha um irmão na Alemanha. É famosa a foto tirada na delegacia naquela noite, de um Chico Buarque sério e quase adolescente olhando de frente com seus hipnóticos olhos verdes.

S/C

sexta-feira, 21 de novembro de 2014

Marcélia Cartaxo reencontra Suzana Amaral

Suzana Amaral, Paulo Lins, Marcelino Freire e Marcélia Cartaxo (Balada Literária) 

Que coisa! Vejam o nome da escola! A própria Violeta Formiga foi brutalmente/covardemente assassinada pelo marido. A Paraíba precisa se desarmar, urgentemente. Chega!!!

Aluno teria tentado matar colega dentro da escola por não aceitar fim de namoro, diz Polícia
De acordo com a Polícia Militar, o aluno armado surpreendeu a estudante quando ela estava no bebedouro da unidade escolar e atirou três vezes contra ela

Por Hyldo Pereira - C. da Paraíba

Escola onde ocorreu o crime


Uma estudante de 14 anos foi baleada dentro de um colégio na manhã desta sexta-feira (21), no bairro de Mandacaru, em João Pessoa, por um aluno de 15 anos. O caso ocorreu na Escola Municipal Violeta Formiga, que fica na comunidade Jardim Mangueira. Segundo o boletim médico do Hospital de Emergência e Trauma da Capital, para onde a garota foi levada, o estado de saúde da vítima é gravíssimo.  

"A informação inicial seria de que o menor teria sacado uma arma para atirar em outro adolescente, mas constatamos que o tiro foi direcionado a garota, por motivos pessoais. A estudante teve um relacionamento com o garoto e ele não aceitou o fim do namoro. Até agora, esse teria sido o motivo da tentativa de assassinato",  afirmou o capitão Antônio de Sousa, comandante da Unidade de Polícia Solidária do bairro.

O superintendente da Polícia Civil na região metropolitana de João Pessoa, Wagner Dorta, o adolescente que tentou matar a ex-namorada já foi apreendido anteriormente e tem envolvimento com drogas. "Já sabemos quem atirou na garota. Levantamento feito comprovou que o menor tem envolvimento com o tráfico de drogas em Mandacaru. O rapaz já foi apreendido por ter sido pego com entorpecente", disse. 

De acordo com o capitão, o aluno armado surpreendeu a estudante quando ela estava no bebedouro da unidade escolar e atirou três vezes contra o abdômen dela. A menor foi socorrida por uma viatura da Polícia Militar para ao Hospital de Emergência e Trauma de João Pessoa.

Ainda segundo o capitão, o menor não foi detido e a arma utilizada no crime não foi apreendida. " Estamos em diligência para deter o suspeito dos tiros e encontrar a arma usada na tentativa de homicídio", falou.

A assessoria de imprensa da Secretaria de Educação do Município informou que vai divulgar uma nota sobre o ocorrido.

Acabou a espera. Sangue novo nas 'bolsas' ministeriais.

Levy irá para a Fazenda e Barbosa, para o Planejamento.

Joaquim Levy deve assumir Ministério da Fazenda
Joaquim Levy

A presidente Dilma Rousseff vai anunciar nesta sexta-feira Joaquim Levy como novo ministro da Fazenda e Nelson Barbosa como titular do Planejamento.

Ambos já integraram a equipe econômica no primeiro governo. Levy foi secretário do Tesouro e Barbosa é ex-secretário-executivo da Fazenda.

O anúncio dos novos assessores de Dilma ocorrerá após o fechamento da Bovespa.

DESENVOLVIMENTO

Senador pelo PTB e candidato derrotado ao governo de Pernambuco, Armando Monteiro assumirá o Ministério do Desenvolvimento e Indústria, segundo a Folha apurou.

Além da equipe econômica, Dilma deve anunciar a senadora Kátia Abreu (PMDB-TO) para o Ministério da Agricultura 

Oh, que estrada mais comprida...

Légua Tirana
Luiz Gonzaga




Oh, que estrada mais comprida
Oh, que légua tão tirana
Ai, se eu tivesse asa
Inda hoje eu via Ana
Quando o sol tostou as foia
E bebeu o riachão
Fui inté o juazeiro
Pra fazer a minha oração
Tô voltando estropiado
Mas alegre o coração
Padim Ciço ouviu a minha prece
Fez chover no meu sertão
Varei mais de vinte serras
De alpercata e pé no chão
Mesmo assim, como inda farta
Pra chegar no meu rincão
Trago um terço pra das dores
Pra Reimundo um violão
E pra ela, e pra ela
Trago eu e o coração.

Aparências, nada mais.


Sobrou pro 'botinha'

Preto no branco!

Essa é muito boa: kkkkkk



É por aí: "Cansou, não compramos mais."

O viscoso e interminável escândalo da Petrobras está oferecendo a Dilma Rousseff uma oportunidade única (talvez a última) de mudar o protocolo adotado há 11 anos pelo PT para lidar com escândalos políticos. 



Tem sido assim, desde a remota origem jeffersoniana do Mensalão, quando um novo escândalo eclode na esfera pública. A atitude básica automática do partido, antes de tudo, é negar a autenticidade ou a validade da denúncia e começa isso geralmente atacando os meios de comunicação. Todo partido, em toda parte, pratica o "media blaming" básico, mas no PT se tornou uma convicção profunda e sinceramente compartilhada por todos os níveis hierárquicos do partido. Virou tão natural, que militantes e representantes eleitos perderam a noção de que culpar a mídia é um manjado comportamento tático e defensivo e tomam a ideia de conspiração da mídia como se fosse uma evidência indiscutível (vocês verão isso na reação a este post).

Tendo transformado o "media blaming" num esporte político, o passo complementar no protocolo petista ao lidar com escândalo é a "proteção do ninho". Não é apenas uma compreensível defesa do partido, mas uma defesa, até o limite do indefensável, mesmo dos envolvidos. Ao menos é o que aparece no discurso público: o PT protege o seu ninho, não importa o custo. Neste sentido, o padrão são os discursos paranoicos sobre perseguição ao partido e ao seu governo capitaneada pela mídia, pelo STF, pela elite, pelos poderosos, pelos conservadores, pela direita, pelos coxinhas.

O PT precisa mudar este protocolo. Agora, que a direita política e os conservadores morais começaram a praticar o "media blaming" à larga, a tese de que toda a mídia é hostil ao PT é, no mínimo duvidosa. Afinal, se Reinaldo Azevedo, Felipe Moura Brasil e Lobão, de um lado, se juntaram a Malafaia, Feliciano e Marisa Lobo, do outro, no discurso de que a mídia brasileira é inimiga jurada seja da direita e do seu recém-inaugurado movimento social, sem mencionar que sempre sabotou a movimento (sim, Senhor) homofóbico, o PT terá que, no mínimo, abrir mão da ideia de que tem a exclusividade da "perseguição da mídia". Na verdade, os que não são petistas tatuados, os moderados, as pessoas do centro etc. - ou seja, a maioria - está esgotada de quase doze anos vendo todo escândalo político explicado pelo mesmo protocolo. Cansou, não compramos mais. Estamos mais interessados em uma relação adulta entre governo e mídia, que está demorando demais a chegar.

Dilma Rousseff precisa fazer um novo contrato com a sociedade para lidar com escândalos políticos. Primeiro, precisa ficar claro para todo mundo que ela é a presidente da República, não do partido. A Dilma o que é a República, a Rui Falcão o que é do PT. Uma boa separação Partido-Estado, pactuada explicitamente com a sociedade, seria um ótimo passo na direção de um mais que necessário "choque de republicanismo" neste mar de prevaricação, corrupção, concussão, conluio que afoga a Petrobras. Chega de "angry & denial", nem mesmo queremos uma mera "aceitação", queremos é que a presidente tome todas as medidas em defesa da República. Os problemas do PT sejam cuidados por outros. Queremos transparência, responsabilização, investigações independentes e gostaríamos que isso foi o padrão adotado em todos os casos de escândalo político doravante. Rousseff bem que podia inaugurar o seu segundo mandato mudando para este protocolo, né não?

Wilson Gomes

O cabelo cresce e depois cai mansamente sem representar qualquer perigo para o dedão do pé.

Arnaldo Antunes

A capa do nosso jornal principal

A Coluna do Professor José Antonio no GAP

Artigo publicado na edição 883ª do jornal GAZETA DO ALTO PIRANHAS

Cacimba de areia

Foto meramente ilustrativa


Quando o conheci, há mais de cinqüenta anos, o belo pé de oiticica, já era enorme e dava sinais de ser muito antigo, fincado às margens do Riacho dos Coxos, dentro dos limites das terras de meu pai, em Cajazeiras. Dela, por vários anos colhi seus frutos para serem vendidos em Cajazeiras, em Anderson Clayton. Esta imponente oiticica ainda hoje existe e sempre que passo por debaixo dela relembro aqueles momentos inesquecíveis de minha vida. Infelizmente seus frutos perderam o valor econômico.

À sombra desta oiticica ficava a cacimba de areia, aonde a minha tia Beatriz, a única irmã de meu pai, casada com José Luiz, coletava a água para beber, cozinhar, tomar banho e matar a sede de uma cabra que lhe abastecia de leite.

Desta cacimba, cansado da luta de catar oiticica, ou das andanças pelo sítio à busca de banana madura ou caçar preá para comer com arroz torrado, descascado no pilão, matava a minha sede nela, bebendo água numa cuia, primorosamente feita por tio Zé Luis, das cabaças que plantava no seu roçado todos os anos, que eram utilizadas como utensílios domésticos na luta da cozinha e serviam também para levar água para o roçado e guardar sementes, cujas bocas eram tampadas com cera de abelhas de arapuá. 

O lugar onde ficava esta cacimba era “sagrado” e era zelado com muita dedicação pelo meu tio Zé Luís, que ficava zangado toda vez que encontrava qualquer sinal de violação. Ninguém podia tomar banho próximo a ela e nenhum animal podia beber água diretamente dela e nem ser banhado em sua ribanceira.

Quando as águas do leito do riacho desapareciam areia adentro esta cacimba se tornava um lugar encantador e belo: nela, vi muitas vezes as craúnas, as rolinhas caldo de feijão, os galos-de-campina, cobras, camaleões e outros animais matando a sede e tomando deliciosos banhos. Era um belo espetáculo da natureza.

Existia toda uma técnica para construir uma cacimba na areia e para executar este serviço, meu Tio Zé Luís era mestre, mesmo até em anos de seca, quando se fazia necessário aprofundá-la por dois ou três metros, a sua cacimba nunca arriava as barreiras. Não era um serviço tão fácil.

Geralmente a coleta da água era no período de manhã e transportada para encher os potes em um galão, feito geralmente de marmeleiro bem maduro para que não envergasse com o peso das duas latas. As latas eram de zinco, compradas na feira ou as de flandres que eram utilizadas para trazer querosene de Campina Grande ou Fortaleza. 

“Botar água”. Esta era uma obrigação das mais pesadas e era geralmente o “homem da casa” que se encarregava deste serviço e na casa em que tinha mais de um, era feita uma escala e dela não podia faltar. 

Quando as chuvas chegavam e o riacho dava a sua primeira enchente as cacimbas eram aterradas para serem refeitas quando as águas do leito do riacho sumiam nas areias, geralmente depois do mês de julho.

Nestes dias em que presenciamos a terra calcinada, formando uma paisagem de desolação, as árvores com seus galhos ressequidos, os riachos escondendo em suas profundezas ás águas como a implorar as chuvas fecundantes, resta-nos a súplica aos céus, já que nossas lágrimas não são suficientes para refrescar a terra, que as nuvens fugidias pairem por estes sertões, derrame a sua água para minorar a face da terra, que ardendo em febre, necessita ser banhada.

Com as chuvas abundantes, as cacimbas desaparecem, mas continuam no cenário de nossa imaginação, na memória das nossas mais imorredouras lembranças, mesmo quando vivemos os vendavais da inquietação das faltas dos pingos que caem das nuvens, não podemos deixar morrer ou esvair-se de nossos corações as lembranças e os perfumes exalados das flores, que foram aguadas com as águas das cacimbas de nossas vidas.

Este mistério que liga o homem à sua infância e ao seu destino e o projeta na dimensão do tempo e da eternidade o transforma num exilado do presente e num prisioneiro do seu passado.

A minha cacimba de areia nunca foi aterrada pelos vendavais do tempo e nem pelas enxurradas dos céus e as suas águas continuam matando a minha sede de saudades e enchendo a minha vida de lembranças, sim as eternas lembranças de tia Beatriz e de tio Zé Luís, que matavam a minha sede com as águas de sua cacimba de areia.

A capa é Capital

Com a palavra um tucano histórico que votou em Aécio.

Segundo o empresário Ricardo Semler...


Nunca se roubou tão pouco

 "A turma global que monitora a corrupção estima que 0,8% do PIB brasileiro é roubado. Esse número já foi de 3,1%, e estimam ter sido na casa de 5% há poucas décadas. O roubo está caindo, mas como a represa da Cantareira, em São Paulo, está a desnudar o volume barrento."


"É ingênuo quem acha que poderia ter acontecido com qualquer presidente. Com bandalheiras vastamente maiores, nunca a Polícia Federal teria tido autonomia para prender corruptos cujos tentáculos levam ao próprio governo."



Nossa empresa deixou de vender equipamentos para a Petrobras nos anos 70. Era impossível vender diretamente sem propina. Tentamos de novo nos anos 80, 90 e até recentemente. Em 40 anos de persistentes tentativas, nada feito. 

Não há no mundo dos negócios quem não saiba disso. Nem qualquer um dos 86 mil honrados funcionários que nada ganham com a bandalheira da cúpula. 

Os porcentuais caíram, foi só isso que mudou. Até em Paris sabia-se dos porquinhos que cobravam 10% por fora sobre a totalidade de importação de barris de petróleo em décadas passadas. 

Agora tem gente fazendo passeata pela volta dos militares ao poder e uma elite escandalizada com os desvios na Petrobras. Santa hipocrisia. Onde estavam os envergonhados do país nas décadas em que houve evasão de R$ 1 trilhão --cem vezes mais do que o caso Petrobras-- pelos empresários? 

Virou moda fugir disso tudo para Miami, mas é justamente a turma de Miami que compra lá com dinheiro sonegado daqui. Que fingimento é esse? 

Vejo as pessoas vociferarem contra os nordestinos que garantiram a vitória da presidente Dilma Rousseff. Garantir renda para quem sempre foi preterido no desenvolvimento deveria ser motivo de princípio e de orgulho para um bom brasileiro. Tanto faz o partido. 

Não sendo petista, e sim tucano, com ficha orgulhosamente assinada por Franco Montoro, Mário Covas, José Serra e FHC, sinto-me à vontade para constatar que essa onda de prisões de executivos é um passo histórico para este país. 

É ingênuo quem acha que poderia ter acontecido com qualquer presidente. Com bandalheiras vastamente maiores, nunca a Polícia Federal teria tido autonomia para prender corruptos cujos tentáculos levam ao próprio governo. 

Votei pelo fim de um longo ciclo do PT, porque Dilma e o partido dela enfiaram os pés pelas mãos em termos de postura, aceite do sistema corrupto e políticas econômicas. 

Mas Dilma agora lidera a todos nós, e preside o país num momento de muito orgulho e esperança. Deixemos de ser hipócritas e reconheçamos que estamos a andar à frente, e velozmente, neste quesito. 

A coisa não para na Petrobras. Há dezenas de outras estatais com esqueletos parecidos no armário. É raro ganhar uma concessão ou construir uma estrada sem os tentáculos sórdidos das empresas bandidas. 

O que muitos não sabem é que é igualmente difícil vender para muitas montadoras e incontáveis multinacionais sem antes dar propina para o diretor de compras. 

É lógico que a defesa desses executivos presos vão entrar novamente com habeas corpus, vários deles serão soltos, mas o susto e o passo à frente está dado. Daqui não se volta atrás como país. 

A turma global que monitora a corrupção estima que 0,8% do PIB brasileiro é roubado. Esse número já foi de 3,1%, e estimam ter sido na casa de 5% há poucas décadas. O roubo está caindo, mas como a represa da Cantareira, em São Paulo, está a desnudar o volume barrento. 

Boa parte sempre foi gasta com os partidos que se alugam por dinheiro vivo, e votos que são comprados no Congresso há décadas. E são os grandes partidos que os brasileiros reconduzem desde sempre. 

Cada um de nós tem um dedão na lama. Afinal, quem de nós não aceitou um pagamento sem recibo para médico, deu uma cervejinha para um guarda ou passou escritura de casa por um valor menor? 

Deixemos de cinismo. O antídoto contra esse veneno sistêmico é homeopático. Deixemos instalar o processo de cura, que é do país, e não de um partido. 

O lodo desse veneno pode ser diluído, sim, com muita determinação e serenidade, e sem arroubos de vergonha ou repugnância cínicas. Não sejamos o volume morto, não permitamos que o barro triunfe novamente. Ninguém precisa ser alertado, cada de nós sabe o que precisa fazer em vez de resmungar.

RICARDO SEMLER, 55, empresário, é sócio da Semco Partners. Foi professor visitante da Harvard Law School e professor de MBA no MIT - Instituto de Tecnologia de Massachusetts (EUA)



S/C